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Apêndice D — Checklists e prompts ​

Este apêndice reúne perguntas e práticas dos capítulos para revisar produtos, conversar em família e recuperar espaço de escolha no próprio uso. Adapte as listas ao contexto; elas ajudam a observar padrões, mas não diagnosticam ninguém.

Checklist para quem constrói ​

Velocidade de ciclo e pontos de parada ​

  • [ ] Meça quantas ações cabem em um minuto e acompanhe se o ciclo está ficando mais curto. (Cap. 1)
  • [ ] Identifique onde o uso termina naturalmente e justifique qualquer ponto de parada removido. (Cap. 1)
  • [ ] Confira se pagamento, repetição automática ou compra em um toque retiram gestos que ajudariam a pessoa a parar. (Cap. 1)
  • [ ] Depois de uma recompensa ou tarefa concluída, ofereça um fim reconhecível. (Cap. 3)
  • [ ] Em feeds, mostre quando não há novidades, ofereça limites de sessão e uma pausa após uso prolongado. (Cap. 9)
  • [ ] Deixe a reprodução automática desligada por padrão para menores e permita que qualquer pessoa escolha. (Cap. 9)
  • [ ] Faça a saída, o cancelamento e a autoexclusão tão simples quanto a entrada. (Cap. 1; Cap. 18; Cap. 19)

Recompensa e moedas ​

  • [ ] Registre o que libera cada recompensa e se depende de quantidade de ações, tempo ou resultado variável. (Cap. 3)
  • [ ] Verifique se a recompensa reforça uma tarefa útil ou apenas o retorno e a repetição. (Cap. 3)
  • [ ] Não celebre como vitória uma situação em que a pessoa não recebeu valor concreto. (Cap. 3)
  • [ ] Garanta que controles apresentados como capazes de mudar o resultado realmente o mudem. (Cap. 3)
  • [ ] Mostre preços em reais e probabilidades no ponto da decisão; não esconda custo em moedas virtuais. (Cap. 19)
  • [ ] Não use recompensa monetária aleatória para estimular retorno; prefira valor conhecido ligado a uma ação que a pessoa já queria fazer. (Cap. 19)
  • [ ] Documente parâmetros como RTP, quem pode alterá-los e como a mudança será informada. (Cap. 6)

Métricas ​

  • [ ] Compare tempo e frequência de uso com satisfação, recomendação e arrependimento declarado. (Cap. 1; Cap. 2; Cap. 9)
  • [ ] Analise a distribuição de uso e receita, incluindo a fatia dos 1% e 5% do topo, em vez de olhar só a média. (Cap. 1; Cap. 4; Cap. 15; Cap. 19)
  • [ ] Acompanhe sessões longas e noturnas, retornos após perdas e depósitos ou recargas logo após perdas. (Cap. 2; Cap. 4; Cap. 7; Cap. 8)
  • [ ] Observe repetição de ações sem entrega de valor e queda de satisfação quando o uso aumenta. (Cap. 3)
  • [ ] Meça o tempo de sessão junto com arrependimento e satisfação por grupo de usuários. (Cap. 9; Cap. 19)
  • [ ] Registre reclamações, pedidos de limite e bloqueio, e quanto tempo a empresa leva para agir. (Cap. 7; Cap. 18)
  • [ ] Defina antes do lançamento quais resultados fariam a equipe interromper ou desligar uma funcionalidade. (Cap. 19)
  • [ ] Após uma mudança de proteção, confira se as métricas internas também mudaram; não trate a aparência de proteção como resultado. (Cap. 20)

Menores ​

  • [ ] Trate a idade como requisito de produto e use padrões mais protetores quando menores puderem compor o público. (Cap. 16)
  • [ ] Para contas de menores, limite notificações à noite, mantenha contas privadas e restrinja contatos a pessoas aprovadas. (Cap. 16)
  • [ ] Remova de experiências destinadas a menores recompensas variáveis, sequências punitivas, rankings de popularidade, caixas de recompensa e moedas que escondam preço. (Cap. 16)
  • [ ] Não faça perfilamento publicitário de menores nem reutilize dados de verificação de idade para outra finalidade. (Cap. 16)
  • [ ] Meça sessões noturnas, contatos de adultos desconhecidos com menores e exposição a conteúdo de risco. (Cap. 16)
  • [ ] Planeje a moderação antes do lançamento: determine o que desconhecidos podem fazer em espaços usados por crianças. (Cap. 16)

Marketing e regulação ​

  • [ ] Audite notificações para saber se informam algo ou treinam uma resposta; registre quantidade, horário e texto. (Cap. 2)
  • [ ] Não use “dopamina” como justificativa de produto sem responder se a experiência deixa a pessoa melhor ou pior. (Cap. 2)
  • [ ] Examine se ofertas de retenção são disparadas por perda, frustração ou tentativa de abandono. (Cap. 6)
  • [ ] Não aumente pressão comercial sobre quem mostra sinais de perda de controle; use esses sinais para reduzir contato, interromper ofertas ou oferecer ajuda. (Cap. 18)
  • [ ] Evite prova social fabricada, publicidade sem contexto e comissão proporcional a depósitos ou perdas. (Cap. 7)
  • [ ] Dê transparência a odds, pagamentos, histórico e limites; não ofereça novas apostas com destaque a quem acabou de sofrer uma perda grande. (Cap. 8)
  • [ ] Registre decisões de design e teste manchete, filho e apresentação honesta da funcionalidade ao usuário. (Cap. 1; Cap. 16; Cap. 19)
  • [ ] Documente as decisões e os limites de risco regulatório antes de lançar, e teste a resposta da equipe a pedidos de proteção. (Cap. 17; Cap. 19)

Checklist para pais e famílias ​

  • [ ] Comece perguntando como a pessoa se sente depois do uso; evite começar com acusação ou proibição. (Cap. 1; Cap. 4)
  • [ ] Observe padrões e prejuízos em sono, trabalho, estudo, dinheiro e relações, em vez de usar só o total de horas. (Cap. 4)
  • [ ] Converse sobre a regra do jogo, as probabilidades e o preço real, não apenas sobre o tempo de tela. (Cap. 3; Cap. 19)
  • [ ] Faça combinados sobre horários, lugares sem tela e o que fazer quando algo online incomodar; combine regras que valham também para adultos. (Cap. 16; Cap. 18)
  • [ ] Mantenha celulares fora dos quartos à noite e carregando em outro cômodo, incluindo os aparelhos dos adultos. (Cap. 16)
  • [ ] Antes do primeiro smartphone, pergunte de quais funções a criança precisa e considere etapas intermediárias. (Cap. 16)
  • [ ] Use controles parentais como apoio transparente e revise as configurações conforme a criança cresce. (Cap. 16)
  • [ ] Desative compras em jogos e exija senha para usar cartões vinculados. (Cap. 16)
  • [ ] Confira se jogos têm caixas de recompensa e se o chat permite contato de desconhecidos. (Cap. 16)
  • [ ] Observe mudanças persistentes no sono, desempenho, convivência, irritação ou segredo; trate sinais como motivo para conversar, não como diagnóstico. (Cap. 16)
  • [ ] Se houver dívida, mentira recorrente ou esconder gastos, procure atendimento e apoio familiar cedo. (Cap. 4; Cap. 18)
  • [ ] Em caso de aliciamento ou extorsão, preserve provas, acolha a criança sem puni-la e procure os canais de denúncia indicados no capítulo 16. (Cap. 16)
  • [ ] Para uma pessoa próxima que aposta, converse sem acusar, com números concretos e uma oferta específica de ajuda. (Cap. 8; Cap. 18)
  • [ ] Se houver sofrimento intenso ou desesperança, procure o CVV pelo 188 ou um serviço de saúde; em emergência, acione o SAMU pelo 192. (Cap. 4; Cap. 17; Cap. 18)
  • [ ] Para orientação continuada, consulte o Apêndice C, que reúne caminhos de ajuda. (Cap. 18)

Checklist para quem se preocupa com o próprio uso ​

  • [ ] Repare se perde a noção do tempo ou sente que parar exige esforço; isso é um alerta, não um diagnóstico. (Cap. 1)
  • [ ] Antes de começar, defina quanto tempo e dinheiro pretende usar e programe um alarme fora do próprio aplicativo. (Cap. 1)
  • [ ] Depois da sessão, pergunte se escolheria aquele tempo de novo. (Cap. 1)
  • [ ] Note se abre sem ter decidido e fecha sem ter gostado; querer usar não significa gostar do uso. (Cap. 2)
  • [ ] Desligue notificações desnecessárias, retire ícones da tela inicial e deixe o aparelho fora do cômodo em horários difíceis. (Cap. 2)
  • [ ] Reponha atrito: saia da conta, apague cartões salvos e desative reprodução ou giro automáticos. (Cap. 1; Cap. 2)
  • [ ] Se a tela comemora um quase-acerto, lembre-se de que o resultado continua sendo uma perda. (Cap. 3)
  • [ ] Olhe o saldo e o preço real, não a música, o bônus ou o valor em moedas virtuais. (Cap. 3; Cap. 6; Cap. 19)
  • [ ] Observe se aposta para recuperar perdas, esconde gastos ou pede dinheiro emprestado para cobri-los. (Cap. 4)
  • [ ] No jogo, some o volume apostado, não apenas o valor que levou ou o saldo final. (Cap. 6; Cap. 8)
  • [ ] Se joga, decida previamente um limite e não use crédito para ultrapassá-lo. (Cap. 6)
  • [ ] Ative limites, lembretes e autoexclusão disponíveis; peça ao banco informações sobre bloqueios e limites de pagamento. (Cap. 8; Cap. 18)
  • [ ] Peça a alguém de confiança que guarde o código de limite do aparelho ou acompanhe um plano de redução. (Cap. 18)
  • [ ] Se o uso está prejudicando sono, trabalho, relações ou finanças, converse com alguém e procure atendimento. (Cap. 4; Cap. 18)
  • [ ] Para dívida, reúna contratos e extratos e procure Procon ou Defensoria antes de pagar intermediários. (Cap. 18)
  • [ ] Se estiver mal, procure o CAPS ou uma unidade básica de saúde; o CVV atende pelo 188. Em risco imediato, ligue para o SAMU, 192. (Cap. 18)

Ao buscar ajuda para sofrimento intenso ou risco de se machucar, ligue para o CVV pelo 188, procure o CAPS e, em emergência, acione o SAMU pelo 192. Para outros serviços e orientações, consulte o Apêndice C.

Roteiro de auditoria em 10 dimensões ​

Dê uma nota de 0 a 3 para cada dimensão. A nota 0 indica que o produto se comporta como o oposto do mecanismo; 1, presença leve, fora do núcleo; 2, mecanismo central com alguma contenção; 3, mecanismo central cuja contenção, se houver, é fácil de ignorar. Registre se cada resposta foi vista diretamente ou inferida; nas dimensões de alvo vulnerável e concentração, prefira dados internos.

  1. Velocidade de ciclo: quantas ações, apostas ou recompensas cabem em um intervalo curto?
  2. Recompensa variável: quanto do retorno depende de resultados incertos ou imprevisíveis?
  3. Pontos de parada: há pausas e fins reconhecíveis, ou o uso segue sem interrupção?
  4. Moedas e preço: o custo aparece claramente em reais antes da decisão?
  5. Pressão social: o produto usa rankings, contadores, sequências ou urgência social para estimular retorno?
  6. Personalização e dados: os dados adaptam a experiência e podem intensificar estímulos ou pressão?
  7. Alvo vulnerável: o produto alcança menores ou pessoas em situação de vulnerabilidade sem proteção adequada?
  8. Concentração de receita: uma pequena parcela de usuários sustenta uma fatia desproporcional da receita?
  9. Transparência: regras, probabilidades, custos e funcionamento são explicados no momento da decisão?
  10. Saída: é simples parar, limitar, cancelar, excluir a conta ou se autoexcluir?

Uma nota 3 em alvo vulnerável, concentração de receita ou saída acende uma trava e exige discussão, independentemente da soma. A soma vai de 0 a 30; ela ajuda a comparar o desenho antes e depois de mudanças, mas não mede dano nem diagnostica usuários.

Prompts de estudo ​

Cap. 1 — A zona da máquina ​

Atue como um professor exigente de psicologia do comportamento e design de produto. Explique a diferença entre a "zona da máquina" descrita pela antropóloga Natasha Dow Schüll e o "fluxo" de Mihaly Csikszentmihalyi, apontando pelo menos três critérios que os separam e pelo menos um que os aproxima. Depois me faça cinco perguntas de dificuldade crescente, uma de cada vez, e só avance quando eu responder. Sempre que citar um estudo, diga o autor, o ano, o tamanho da amostra e a principal limitação, e avise quando não tiver certeza.

Escolha um app que eu uso muito e que eu vou descrever. Liste os pontos de parada que ele tem e os que ele não tem, estime a velocidade de ciclo e me diga, com cautela e sem diagnosticar ninguém, quais características de desenho o aproximam de um produto que vende permanência. Separe o que é evidência de dano documentado do que é hipótese. No fim, proponha duas mudanças que preservem o valor do produto e reponham um ponto de parada.

Cap. 2 — Recompensa, dopamina e o que é mito ​

Atue como um revisor de neurociência com rigor de periódico. Vou colar um texto de divulgação sobre dopamina, vício ou redes sociais. Para cada afirmação sobre o cérebro, diga: (1) se ela se refere a dopamina, a prazer, a querer ou a aprendizado; (2) qual é o tipo de evidência por trás dela (ratos, macacos, PET, ressonância funcional, estudo observacional); (3) o que o método mede e o que não mede; (4) qual seria a versão honesta da frase. Termine com uma nota de zero a dez para a precisão do texto e as três correções mais importantes.

Quero entender o debate atual sobre o papel da dopamina na recompensa. Explique, sem jargão, as posições de Schultz (erro de predição), Berridge e Robinson (saliência de incentivo) e dos críticos mais recentes, como o grupo de Namboodiri. Em cada caso, diga qual experimento sustenta a posição, qual a principal objeção, e o que isso muda para quem desenha produtos digitais. Marque o que é consenso, o que é hipótese e o que é divulgação.

Cap. 3 — Esquemas de reforço ​

Atue como um psicólogo experimental e me ajude a estudar esquemas de reforço. Explique as diferenças de comportamento entre razão fixa, intervalo fixo, razão variável e intervalo variável em animais e em humanos, indicando o que está bem estabelecido e o que é contestado. Depois proponha três hipóteses testáveis sobre o efeito do gesto de puxar para atualizar no tempo de uso de um aplicativo, com o desenho do experimento, a métrica, o tamanho de amostra aproximado e os riscos éticos. Diga quando você não tiver certeza e não invente referências.

Seja um advogado de defesa e um promotor, nessa ordem. Sobre a prática de máquinas de rolo virtual produzirem quase-vitórias com frequência muito maior que a probabilidade do prêmio, monte o melhor argumento de cada lado, citando apenas estudos que você tenha certeza de que existem, e marque o que dependeria de prova que não temos.

Cap. 4 — O que é vício — e o que não é ​

Atue como um revisor de métodos de pesquisa. Vou colar o resumo de um estudo sobre "vício" em celular, redes sociais ou jogos. Identifique (1) como o vício foi definido e medido, (2) se a escala deriva de critérios de dependência de substâncias ou de jogo, (3) o tamanho do efeito e a amostra, (4) se o desenho permite inferir causalidade, (5) explicações alternativas plausíveis e (6) o que o estudo não permite concluir. Em seguida, reescreva a conclusão do estudo em duas frases que um jornalista possa usar sem exagero.

Cap. 5 — Do jogo do bicho ao caça-níquel ​

Atue como um pesquisador de políticas públicas de jogo. Compare, com datas e fontes que você possa citar, três regimes de jogo de azar no Brasil: proibição (jogo do bicho, cassinos), exploração estatal (loterias da Caixa) e licenciamento (bingos de 1993 a 2001, apostas de quota fixa desde 2018). Para cada regime, descreva quem ficou com a margem, qual foi o principal modo de falha e que evidência existe. Marque o que for incerto ou contestado e não invente números.

Explique como a velocidade de ciclo de um jogo (horas, dias, segundos) altera o risco de dano, usando o jogo do bicho, a Mega-Sena e o caça-níquel como exemplos. Diga o que a literatura científica sustenta e o que é inferência minha, e cite os trabalhos que você conhece, sinalizando os que eu deveria conferir.

Cap. 6 — O cassino por dentro ​

Atue como um economista de jogo. Explique, com exemplos numéricos, a diferença entre vantagem da casa, RTP, hold, handle e valor teórico, e mostre como o mesmo cliente tem valor teórico diferente em caça-níquel, roleta europeia e blackjack. Em seguida, indique quais afirmações são consenso e quais são estimativa do setor, e liste o que eu deveria conferir.

Resuma o que foi documentado, com fontes que eu possa abrir, sobre falhas de jogo responsável nos inquéritos australianos contra a Crown e a Star Entertainment. Separe o que é achado dos relatórios, o que é multa e o que é cobertura da imprensa, e diga o que ainda está em disputa judicial.

Cap. 7 — As bets no Brasil ​

Atue como analista de políticas públicas. Compare três respostas do Estado brasileiro ao jogo de azar, a proibição dos cassinos em 1946, a tentativa de proibir bingos e caça-níqueis em 2004 (MP 168) e a proibição das bets em 2026 (MP 1.394). Para cada uma, aponte o que o texto legal proibiu, o que o mercado fez em seguida, quais instituições sustentaram ou derrubaram a medida e que indicadores seriam necessários para medir o efeito sobre o jogador. Marque o que é fato, o que é estimativa e o que é palpite.

Atue como revisor crítico de estatísticas. Eu vou colar três números sobre bets no Brasil (fluxo por Pix, GGR e perda do varejo estimada pela CNC). Para cada um, diga a origem provável, quem tem interesse, o tipo de erro mais provável e uma pergunta que eu deveria fazer à fonte.

Cap. 8 — Aposta ao vivo ​

Você é um analista de produto de uma casa de apostas esportivas com acesso a dados anônimos. Proponha um conjunto de dez métricas, com definição e fórmula, que permitam distinguir uma carteira de clientes saudável de uma carteira dependente de poucos jogadores com perdas elevadas. Para cada métrica, explique qual decisão de produto ela deveria bloquear, e qual objeção comercial interna você esperaria ouvir.

Explique, passo a passo e com números, como a margem de uma aposta múltipla de seis pernas se compõe a partir de margens individuais de 5 por cento, e depois discuta quais fatores fazem a retenção real divergir da conta simples, como correlação entre eventos e arredondamento de odds. Aponte o que a conta não consegue medir.

Cap. 9 — O feed infinito ​

Atue como um pesquisador de interação humano-computador. Explique a diferença entre um "sinal de parada" (stopping cue) e um "ponto de parada" tal como usado neste capítulo, cite os estudos experimentais que testaram o efeito de remover sinais de parada em interfaces, e diga, para cada um, o tamanho da amostra, o desenho e o limite. Não invente referências: se não souber, diga que não sabe.

Simule uma reunião de produto em que quatro pessoas (designer, analista de dados, advogada e representante de pais) discutem se um aplicativo de vídeos curtos deve desligar a reprodução automática para menores de 16 anos. Dê a cada uma um argumento forte e uma dúvida honesta, e termine com uma proposta de teste A/B que meça tempo de sessão e arrependimento.

Cap. 10 — Notificação, sequência e medo de ficar de fora ​

Atue como um revisor de produto. Vou descrever um aplicativo com notificações push e uma sequência diária. Para cada notificação, diga se ela informa um fato ou fabrica uma pendência. Para a sequência, responda quem sofre se ela quebrar e quem lucra se ela não quebrar. Depois proponha três mudanças que mantenham a retenção sem criar culpa, e diga que métrica eu deveria acompanhar para saber se funcionou.

Explique o problema do colecionador de cupons passo a passo, com um exemplo de 100 itens, e calcule o número esperado de pacotes de 5 para completar a coleção. Mostre o cálculo por extenso e diga quais suposições da fórmula não valem para um álbum de figurinhas de verdade.

Cap. 11 — Validação social como recompensa ​

Atue como pesquisador de design de produto. Explique, com ressalvas sobre qualidade da evidência, o que a literatura diz sobre o efeito de métricas sociais públicas (curtidas, seguidores) no comportamento de quem posta. Separe estudos experimentais de correlacionais, aponte os limites de cada um e diga quais afirmações populares não se sustentam. Termine com três perguntas que um time de produto deveria responder antes de publicar um contador.

Eu trabalho num app com feed e quero testar esconder as contagens de reação por padrão. Monte um plano de teste A/B: hipóteses, métricas primárias e secundárias (incluindo bem-estar por subgrupo), tamanho de amostra aproximado, riscos e critérios de decisão. Aponte onde o teste do Instagram de 2019 a 2021 pode ter enganado.

Cap. 12 — Loot box, gacha e free-to-play ​

Atue como analista de monetização de jogos. Vou descrever um sistema de sorteio com chance base, pity suave e pity duro, e o preço de cada tentativa. Calcule o número esperado de tentativas e o custo esperado, mostre a conta por extenso e diga que premissas podem estar erradas. Depois proponha três mudanças que reduzam o risco para o jogador sem destruir a receita.

Explique a diferença entre as decisões da Bélgica (2018), da Holanda (Conselho de Estado, 2022) e do Reino Unido (2022) sobre loot boxes, e como o artigo 20 da Lei 15.211/2025 muda a pergunta. Cite os pontos de incerteza e diga o que eu deveria checar em fonte primária.

Cap. 13 — Dinheiro como jogo ​

Atue como um economista comportamental e um advogado de defesa do consumidor. Vou descrever um produto financeiro ou de varejo digital que tem elementos de jogo (placar, recompensa variável, moeda virtual, parcelamento). Para o produto, faça: (1) liste os incentivos de receita da empresa e diga se ela ganha quando o cliente melhora ou quando piora; (2) identifique em que categoria legal o produto se enquadra e que proteção essa categoria dá ao consumidor; (3) calcule o custo real para um cliente típico com os números que eu fornecer; (4) aponte o que eu precisaria verificar em fonte primária antes de afirmar qualquer coisa em público. Não dê conselho de investimento.

Explique a matemática de um jogo de multiplicador (crash game) em que a probabilidade de o multiplicador passar de m é igual ao RTP dividido por m. Mostre que o retorno esperado independe do ponto de saque, calcule a variância de duas estratégias de saque diferentes e diga o que isso significa para a experiência do jogador. Não proponha estratégia para ganhar.

Cap. 14 — O manual que veio antes ​

Atue como um historiador de políticas de saúde pública. Compare, em uma tabela de cinco linhas e em um texto de 500 palavras, o caminho regulatório do tabaco, dos alimentos ultraprocessados e das plataformas digitais nos Estados Unidos e no Brasil: o que a indústria sabia, como se soube, qual regulação veio e em quanto tempo. Diga, para cada afirmação, se é consenso científico, evidência mista ou alegação em processo, e indique onde eu devo verificar em fonte primária.

Faça o papel de advogado da indústria e depois de procurador. Para um recurso de design que aumenta o tempo de uso de um app (por exemplo, reprodução automática), escreva primeiro a defesa mais forte possível usando a ideia de que a ciência é mista, e depois a acusação mais forte possível usando um documento interno hipotético. Em seguida diga que documento interno real, se existisse, mudaria o equilíbrio.

Cap. 15 — Quem sustenta a receita ​

Atue como analista de dados cético. Vou colar uma tabela com receita por cliente de um produto de repetição, em faixas (por exemplo: número de clientes e perda ou gasto médio de cada faixa). Calcule a média, a mediana, a fatia da receita dos 1%, 5% e 20% do topo e a razão entre média e mediana. Depois me diga: que decisões de CRM ou de produto essa distribuição tende a favorecer, que riscos regulatórios e reputacionais ela cria, e quais três perguntas eu deveria fazer antes de usar o número "gasto médio por cliente" numa apresentação. Não invente dados que eu não forneci.

Faça o papel de advogado do diabo. Resuma, em até quinhentas palavras, o melhor argumento de que dados de concentração de receita em jogo de azar não provam que o setor dependa de jogadores com problema. Cubra autorrelato, definição de "problema", renda alta de grandes perdedores e causalidade reversa. Em seguida, aponte o que, mesmo assim, o argumento não consegue desfazer.

Cap. 16 — Crianças e adolescentes ​

Atue como pesquisador cético. Resuma, em linguagem leiga, as três melhores evidências a favor e as três melhores críticas à tese de que smartphones e redes sociais causaram uma piora na saúde mental de adolescentes (Haidt, 2024; Odgers, 2024; Orben e Przybylski, 2019; Braghieri, Levy e Makarin, 2022). Para cada ponto, diga o tipo de estudo, o tamanho de efeito reportado, a limitação principal e o que um estudo ideal faria. Não invente números: quando não tiver, diga "não sei".

Tenho um filho de 11 anos que pediu um smartphone. Monte comigo um plano em três degraus, com critérios para avançar ao próximo, usando o ECA Digital e os controles do sistema operacional que eu já tenho. Pergunte primeiro qual aparelho usamos e quais redes os colegas dele usam.

Cap. 17 — Regulação pelo mundo ​

Quero entender o que a pesquisa diz sobre os efeitos de três medidas de regulação de jogo: o teto de aposta nas FOBTs britânicas (2019), a proibição e o retorno controlado das máquinas na Noruega (2007 e 2009) e o registro nacional de autoexclusão (GAMSTOP, BetStop, Spelpaus). Para cada uma, liste os estudos mais citados, o desenho de cada estudo, o tamanho do efeito encontrado e as limitações. Separe o que é causal do que é correlacional e diga onde há conflito entre os estudos. Não invente referências: se não tiver certeza de um artigo, diga que não tem.

Atue como um regulador brasileiro que precisa avaliar, seis meses depois da MP 1.394/2026, se a proibição das apostas de quota fixa reduziu o dano. Defina os indicadores, as fontes públicas de dados, os grupos de comparação possíveis e os vieses mais prováveis. Depois critique o seu próprio plano como se fosse a indústria, e como se fosse um defensor da proibição.

Cap. 18 — Defesa pessoal e familiar ​

Atue como um pesquisador cético em tratamento de transtorno do jogo. Compare, em linguagem leiga, o que a meta-análise de Pfund e colegas (Addiction, 2023), a revisão Cochrane de Cowlishaw e colegas (2012) e a revisão Cochrane de Dowling e colegas (2022) dizem sobre terapia cognitivo-comportamental, entrevista motivacional e medicação. Aponte o que cada uma não consegue responder e que tipo de estudo faltaria. Não dê conselho clínico.

Tenho um familiar adulto que está apostando além do que pode e eu não sei como conversar com ele. Usando o que se sabe sobre CRAFT e entrevista motivacional, me ajude a ensaiar a conversa: peça primeiro o contexto, depois me dê três aberturas possíveis, três reações prováveis dele e como responder a cada uma sem acusar nem ceder. Diga claramente o que você não sabe sobre o meu caso e quando eu devo procurar um profissional.

Cap. 19 — Design honesto ​

Atue como Defensor, Atacante, Operador e Juiz em quatro conversas separadas sobre esta feature: [descreva]. Em cada conversa, entregue só os fatos (público, mecanismo, números); não compartilhe a análise dos outros papéis. O Atacante lista as alavancas; o Defensor lista como falha ou causa dano e abre o ganho por segmento; o Operador propõe a versão executável e diz se não existe versão honesta; o Juiz usa seis critérios que eu escrevi antes (ganho imediato, custo de longo prazo, risco legal, risco reputacional, reversibilidade, quem paga a conta) e diz o que mudaria a decisão. Em todas, aponte o que não pode ser afirmado sem dado.

Explique a diferença entre preferência de primeira e de segunda ordem (Frankfurt) e o conceito de contrato de Ulisses. Depois proponha três exemplos de feature de produto digital que funcionam como contrato de Ulisses e três que fazem o oposto, e diga que métrica de produto distinguiria cada caso.

Cap. 20 — Auditoria de um produto viciante ​

Atue como um auditor externo de produtos digitais. Vou descrever o percurso de uso de um aplicativo (cadastro, primeiro uso, pagamento, configurações de limite, tentativa de cancelar). Pontue cada uma das dez dimensões de 0 a 3 com estas definições: velocidade de ciclo, recompensa variável, pontos de parada, moedas e opacidade de preço, pressão social, personalização e dados, alvo vulnerável, concentração de receita, transparência e saída. Para cada nota, cite a evidência que eu descrevi e marque como "visto" ou "inferido". Dê a soma com intervalo (só o visto, e visto mais inferido), aponte se alguma trava (alvo vulnerável, concentração, saída) está acesa, e liste as perguntas que eu deveria fazer para transformar cada inferência em fato. Não acuse ninguém de intenção, não invente dados da empresa e diga o que não dá para saber de fora.

Escolha um app que eu descreva e proponha as três mudanças com maior efeito sobre o pior momento do usuário por real de receita perdido. Para cada uma, estime o custo em receita com premissas explícitas, diga quem perde e quem ganha, e escreva a objeção mais forte que o time de crescimento faria.