Tema
10. Mercado Livre: o marketplace que virou banco
Um plano de negócios de 1999 e uma troca de cadeira em 2026
Em março de 1999, um estudante argentino do MBA da Universidade Stanford entregou um plano de negócios para um site de leilões e vendas pela internet na América Latina. O estudante se chamava Marcos Galperin, e o desenho era inspirado no eBay, para uma região em que o eBay ainda não operava. O próprio prospecto que a companhia depositou na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, registra a data: o plano foi elaborado em março de 1999, as operações começaram na Argentina em agosto daquele ano, e a MercadoLibre, Inc. foi incorporada em Delaware em 15 de outubro de 1999.
Vinte e seis anos depois, em 16 de maio de 2025, a empresa protocolou na mesma SEC um formulário 8-K que anunciava uma troca de cadeira. O conselho aprovara que, a partir de 1º de janeiro de 2026, Galperin deixaria o cargo de presidente executivo e passaria a presidente executivo do conselho, o executive chairman. Ariel Szarfsztejn, que dirigia a área de comércio da companhia, assumiria o cargo de presidente executivo global. A cena não tem drama, e é por isso que ela serve de abertura. A sucessão foi marcada com mais de sete meses de antecedência, em documento regulatório. É a troca de comando típica de uma companhia que o mercado passou a tratar como infraestrutura, não como aposta.
O que mudou em vinte e seis anos é o objeto da conversa. Em 1999, a empresa era um site de leilões. Em 2025, segundo o resultado divulgado em fevereiro de 2026, faturava cerca de US$ 28,9 bilhões por ano, com lucro líquido em torno de US$ 2 bilhões, e tinha uma carteira de crédito de US$ 12,5 bilhões no fim do ano. A fatia de um negócio que ainda se parece com o leilão original é cada vez menor, e a fatia que lembra um banco é cada vez maior. O Brasil, nesse conjunto, é o maior mercado: em 2024, segundo a tabela de segmentos do relatório anual de 2024, foram US$ 11,4 bilhões de receita no país, cerca de 55% do total da empresa.
Este capítulo conta como se chega daqui até ali, e conta com um ângulo específico. Os dois livros irmãos que tocam o Mercado Livre olham para outro lugar: o Marketing Adversarial trata do marketplace como canal de aquisição e de mídia, e O Manual do Perito trata do chargeback e da fraude de cartão contra a plataforma. Aqui o assunto é o ecossistema, isto é, a decisão de ser ao mesmo tempo vitrine, meio de pagamento, transportadora e financeira. A tese é que o ecossistema vale mais que a loja, porque cada camada gera um dado que a camada seguinte transforma em dinheiro, e que o dado de pagamento, em especial, vira crédito. Mostrarei também o outro lado: o que essa tese custa em margem, em regulação e em risco.
Um aviso de método. Os números de 2025 e 2026 vêm de balanços divulgados e de reportagens que os citam, e vários deles aparecem com ressalva explícita de que não foram conferidos no documento original. Onde o texto diz "segundo a imprensa", leia como informação de segunda mão.
O que você vai levar deste capítulo
O ecossistema vale mais que a loja: o marketplace atrai o comprador e o vendedor, o pagamento captura o dinheiro, a logística garante a entrega e o crédito monetiza o que a empresa sabe sobre cada um.
O dado de pagamento é o ativo que mais rende. Quem enxerga o fluxo de caixa de milhares de vendedores consegue emprestar para quem o banco tradicional recusa, e consegue medir o risco melhor do que uma ficha cadastral.
Ser banco sem ser banco é uma escolha regulatória: o Mercado Pago é instituição de pagamento autorizada, o Mercado Crédito é financeira e a empresa disse, em fevereiro de 2026, que a licença bancária no Brasil não era prioridade. Cada licença define o que a empresa pode fazer e como pode se financiar.
Crescer para dominar custa margem. Em 2026, a receita cresceu bem mais do que o lucro: subiu 50% no segundo trimestre, enquanto a margem de EBIT caiu de 12,2% para 6,7%.
1999: um leilão copiado e um sócio inesperado
O caso: da Stanford a Buenos Aires, e do eBay à Nasdaq
A história da fundação tem um detalhe que explica o que veio depois. O eBay, que servia de modelo, entrou como sócio. Em 2001, segundo a BBC e o relato institucional da Stanford GSB, o eBay adquiriu uma participação na MercadoLibre e assumiu o compromisso de não entrar na América Latina com operação própria por um período de cinco anos. O percentual da participação aparece com divergência entre as fontes: a BBC fala em 19,5%, a Stanford em 18%. Eu registro as duas e não escolho. O que importa é o desenho: o modelo original entrou como investidor, saiu do caminho e deixou o terreno livre para uma empresa local que conhecia os problemas do continente.
A operação brasileira começou poucos meses depois da argentina. A página institucional do Mercado Livre brasileiro diz que Stelleo Tolda passou a liderar a operação no Brasil, e, em entrevista de 2017 ao Estadão, Tolda aparece como diretor de operações da companhia. Em agosto de 2007, a MercadoLibre abriu o capital na Nasdaq, sob o símbolo MELI, a US$ 18 por ação, segundo o prospecto final. A companhia vendeu cerca de 2,6 milhões de ações próprias na oferta, o que gerou algo em torno de US$ 43 milhões líquidos para o caixa da empresa, segundo o prospecto. Uma abertura de capital que levantou menos de US$ 50 milhões para a própria empresa descreve uma companhia que ainda era pequena.
O mecanismo: comissão, rede e o problema do desconhecido
O primeiro modelo de negócio do Mercado Livre é simples e de uma elegância dura. A plataforma não compra nada, não estoca nada e não entrega nada. Ela junta quem vende e quem compra e cobra uma comissão quando a venda acontece. O ativo é o encontro. Quanto mais vendedores há, mais compradores vêm, e quanto mais compradores, mais vendedores se interessam. É o efeito de rede, o mesmo de qualquer feira, mas multiplicado pelo alcance da internet.
Essa vantagem esbarra num problema que o Brasil de 2000 tornava grave: a confiança. Um estranho vende para outro estranho, o comprador paga adiantado e o vendedor despacha pelo correio, quando despacha. O comprador não sabe se vai receber, e o vendedor não sabe se vai receber o pagamento. Nos Estados Unidos, o cartão de crédito e o PayPal resolviam parte disso. No Brasil, onde parte dos compradores não tinha cartão e menos ainda tinha conta em banco que aceitasse um pagamento on-line, a falta de meio de pagamento seguro era o gargalo da venda pela internet. O próprio Tolda disse, na entrevista de 2017, que a falta de cartão e de conta bancária era uma grande barreira ao comércio eletrônico. É daí que nasce o Mercado Pago.
O pagamento: resolver o gargalo e descobrir o negócio
O caso: do intermediário de confiança ao produto financeiro
O Mercado Pago foi lançado na Argentina em novembro de 2003 e começou a operar no Brasil em janeiro de 2004, segundo o blog institucional do próprio Mercado Pago e uma reportagem da Exame da época. A primeira função era evitar a fraude: o comprador paga a um intermediário, o intermediário avisa o vendedor para despachar, e o dinheiro só é liberado quando a entrega ocorre. Em termos de risco, a plataforma sai da posição de quadro de avisos e passa a ser a custodiante do dinheiro durante alguns dias.
O Banco Central reconheceu o Mercado Pago como instituição de pagamento em 1º de novembro de 2018, na modalidade de emissor de moeda eletrônica, segundo o quadro de autorizações do próprio banco. Em 11 de março de 2020, a autorização foi ampliada para emissor de instrumento de pagamento pós-pago e credenciador, o que permitiu emitir cartão de crédito e atuar como credenciadora, segundo o G1 e as demonstrações financeiras da empresa de 2021. Em outras palavras, a empresa que começou como intermediária de confiança passou a poder emitir cartão e a processar pagamentos de lojistas que não vendem na plataforma. Segundo o Estadão, citado pelo Mercado&Consumo, mais da metade do volume de pagamentos do cartão do Mercado Pago no Brasil já ocorria fora do marketplace.
O mecanismo: o dinheiro que passa, o dado que fica
O que o pagamento muda no negócio tem duas partes, uma contábil e uma informacional.
A contábil: durante os dias entre a compra e a liberação, o dinheiro está na conta da plataforma. Em um universo de milhões de pedidos por mês, isso forma um saldo grande e permanente. Esse saldo, porém, não é dinheiro livre da empresa: pela Lei 12.865, de 2013, os recursos mantidos em contas de pagamento formam patrimônio separado e não se confundem com o da instituição, e o relatório anual da companhia distingue fundos de clientes dos recursos que financiam os empréstimos. O ganho está na confiança e na recorrência que a conta cria, não em funding gratuito, e o livro não detalha rendimentos porque não os confirmou.
A informacional: o Mercado Pago passa a saber quanto cada vendedor vende por dia, quanto devolve, quanto recebe, em que época vende mais e quanto paga de frete. O banco tradicional olha o extrato de uma conta e, no caso de microempreendedores, quase sempre não enxerga a atividade, porque a venda acontece em dinheiro, em outra conta, em outro CPF. O Mercado Livre enxerga tudo, ao vivo. Em 2017, o próprio Estadão registrou que a empresa dizia poder acessar o fluxo de caixa dos vendedores, o que permitiria análises personalizadas de crédito para quem não tem como apresentar a papelada exigida pelos bancos. É esse o ativo central do capítulo. Voltaremos a ele depois da logística, que é a outra perna do ecossistema.
Mercado Envios: a entrega como vantagem
O caso: dos Correios aos centros próprios
O Mercado Envios é citado pela imprensa financeira como iniciativa logística desde 2013, com dependência inicial dos Correios, segundo o Valor International. A partir de 2019, a empresa internalizou a logística em ritmo acelerado, e os números de 2025 e 2026 dão a medida. A Carta Logística, apoiada em dados do Fórum ILOS, registra que a participação dos Correios nas entregas do Mercado Livre caiu para menos de 5%, que a empresa operava cerca de 27 centros de distribuição do modelo Full, com meta de 42 até o fim de 2026, além de aproximadamente 2,9 mil veículos e nove aeronaves. O Valor International, em outubro de 2026, noticiou a expectativa de terminar o ano com 72 centros logísticos de grande porte no Brasil, número maior que o dos centros Full, cuja definição de "grande porte" eu não consegui confirmar; não consegui abrir essa reportagem e cito o dado como o dossiê o registrou.
Em março de 2026, a imprensa noticiou que o Mercado Livre anunciou um investimento de R$ 57 bilhões no Brasil naquele ano, 50% acima dos R$ 38 bilhões que a empresa disse ter investido em 2025, com 14 novos centros de distribuição, o que levaria a rede a 42. Um banco de investimento observou, segundo a mesma cobertura, que valores anunciados desse tipo misturam custo de mercadoria, despesas e investimento de capital e por isso não representam o que se chama de capex. Leia o número como a escala da ambição, não como cheque assinado.
Em 6 de junho de 2025, o Mercado Livre baixou de R$ 79 para R$ 19 o valor mínimo de compra para ter frete grátis, segundo o Mercado&Consumo e o Hardware.com.br. Produtos internacionais continuaram com limite de R$ 79, e itens de supermercado, com R$ 199. A empresa disse que o custo de frete para vendedores caía até 40% para quem já vendia e 17% para novos vendedores. O programa de frete grátis existia desde 2017 e começara em R$ 120.
O mecanismo: logística como barreira de entrada e como custo
Duas ideias sustentam o investimento em logística. A primeira é de conversão. O frete caro e a entrega lenta são os dois maiores motivos de desistência de compra on-line. Uma empresa que garante entrega rápida e frete baixo ganha o cliente que outra perde. A segunda é de barreira. Um centro de distribuição próprio, com frota, rotas e estoque dos vendedores, exige capital e escala. Um concorrente que não tenha isso compete só em preço.
O modelo Full ilustra a engrenagem. O vendedor deixa o estoque no centro de distribuição do Mercado Livre, que armazena, separa, embala e entrega. O vendedor ganha prazo menor e prioridade na busca, e a plataforma ganha controle sobre a experiência e acesso a mais dados. O custo da logística, em compensação, deixa de ser do vendedor e passa em parte para a plataforma, que o recupera em tarifas de frete e em comissão.
Cenário ilustrativo, com números inventados para a conta fechar, e sem relação com tarifas reais do Mercado Livre. Um vendedor vende um produto por R$ 100. O custo da mercadoria é R$ 55. Os impostos somam R$ 8. A comissão da plataforma é de R$ 14. O frete que cabe ao vendedor, depois do subsídio, é de R$ 9. O anúncio patrocinado, para aparecer na busca, custa R$ 6. Sobram R$ 8 ao vendedor, ou 8% do preço. Da mesma venda, a plataforma e seus serviços ficaram com R$ 29, somando comissão, frete e anúncio, ainda sem contar o que ganha em tarifa de pagamento e em juros se o cliente parcelar. Repare no desenho: para o vendedor, cada camada do ecossistema é um custo. Para a empresa, cada camada é receita, e a mesma venda aparece em quatro linhas diferentes do demonstrativo.
A tabela resume o que cada camada cobra e o dado que gera. É uma leitura do mecanismo feita pelo livro, e não um quadro oficial da empresa.
| Camada | O que cobra | Dado que gera |
|---|---|---|
| Marketplace | Comissão por venda, anúncio patrocinado | Quem compra o quê, a que preço, em que reputação |
| Mercado Pago | Tarifa de pagamento, juros de cartão | Fluxo de caixa de vendedores e consumidores, mesmo fora da plataforma |
| Mercado Envios | Tarifa de frete e de armazenagem | Estoque, giro e devolução de cada vendedor |
| Mercado Crédito | Juros | Comportamento de pagamento, histórico de dívida |
O crédito: onde o dado vira dinheiro
O caso: de empréstimo a vendedor a carteira de bilhões
Os primeiros empréstimos no Brasil foram para vendedores. Em maio de 2017, segundo o Estadão, o Mercado Livre começou a emprestar a pequenos empresários que vendem no site, em parceria com instituições financeiras que a reportagem não nomeou, depois de nove meses de testes na Argentina, onde fizera milhares de operações de até US$ 10 mil. O pedido era feito por telefone, pelo Mercado Pago. Em 30 de janeiro de 2018, segundo a Pequenas Empresas & Grandes Negócios, a empresa lançou o Mercado Crédito no Brasil como serviço de capital de giro a vendedores, com taxas divulgadas entre 2,25% e 5,5% ao mês na estreia. Em 30 de agosto de 2019, o Valor noticiou limites de crédito pré-aprovados para 3,1 milhões de consumidores, que correspondiam a 8% dos compradores únicos mencionados.
Em 9 de novembro de 2020, segundo o Valor, o Banco Central autorizou a criação do Mercado Crédito Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, a financeira do grupo, com capital social de R$ 40 milhões. No dia seguinte, o portal Startupi publicou as falas de executivos do Mercado Pago: a licença, disse o vice-presidente Tulio Oliveira, reforçaria o foco da empresa em expandir o crédito no ecossistema, e a companhia declarava ter concedido mais de R$ 4 bilhões desde 2017, em mais de 10 milhões de transações. É dado declarado pela empresa, sem auditoria independente na fonte. Outro executivo, Pedro de Paula, disse que a licença permitiria acessar fontes de funding complementares, um rol de instrumentos de financiamento mais completo.
Em junho de 2020, o Valor registrou uma carteira de R$ 547 milhões no primeiro trimestre daquele ano. Em seis anos, a escala saltou para outro patamar, embora os números não sejam comparáveis diretamente, porque o primeiro é o do Brasil e o segundo é da empresa inteira. No quarto trimestre de 2025, segundo o comunicado de resultados reportado pela imprensa, a carteira de crédito do Mercado Pago cresceu 90% em um ano e chegou a US$ 12,5 bilhões, sendo US$ 5,7 bilhões em cartão de crédito, alta de 114%. A inadimplência de 15 a 90 dias do cartão estava em 4,4%, uma mínima histórica, segundo a empresa; um resumo da teleconferência apontou leve alta nos índices de atraso inicial, o que a análise de risco costuma tratar como sinal a observar. No segundo trimestre de 2026, segundo o BTG Pactual, a carteira chegou a US$ 16,4 bilhões, com alta de 75%, e a inadimplência consolidada de 15 a 90 dias ficou em 7%, e a do cartão em 4,6%. São números da região inteira, não só do Brasil, e vêm de banco de investimento e imprensa, não do documento original.
O mecanismo: por que o dado de pagamento é melhor que a ficha cadastral
Crédito é a venda de dinheiro com prazo, e o preço do risco depende do quanto o credor sabe sobre o tomador. O banco tradicional sabe pouco sobre um vendedor informal: o que o cliente declara, a renda comprovada, o histórico do CPF em birôs de crédito. O Mercado Livre sabe quanto ele vende por dia nos últimos meses, quanto devolve, que nota de reputação tem, e quanto dinheiro entra e sai da conta. A previsão de pagamento sai do comportamento, não da documentação.
Isso muda o preço e muda o público. Muda o preço porque um risco bem medido pode ser cobrado de forma mais precisa, e muda o público porque alcança quem o banco recusa. Também muda o controle: como o dinheiro da venda passa pela plataforma, ela pode descontar a parcela da própria receita do vendedor antes de repassar o saldo. Isso reduz o risco de inadimplência, porque o credor está na frente da fila de recebimento. É uma vantagem estrutural que o banco comum não tem.
Cenário ilustrativo, com números inventados para a conta fechar. Imagine uma carteira de R$ 100 milhões, a juros médios de 3% ao mês, o que equivale, em conta simples, a 36% ao ano, ou R$ 36 milhões de receita de juros. Suponha que o custo de captar esse dinheiro seja de 15% ao ano, ou R$ 15 milhões, e que as perdas com inadimplência sejam de 10% da carteira, R$ 10 milhões. Sobram R$ 11 milhões antes de despesas operacionais. Agora veja a sensibilidade: se a perda subir de 10% para 15%, o resultado cai para R$ 6 milhões; se dobrar para 20%, cai para R$ 1 milhão. Um ponto percentual de perda corresponde a R$ 1 milhão e consome quase um décimo do resultado. Por isso a inadimplência de 15 a 90 dias é o indicador que os analistas acompanham com mais atenção, e por isso um banco de investimento citou o aumento do atraso inicial como ponto de atenção na teleconferência de 2025.
O crédito também tem uma consequência de estrutura: quem empresta precisa de dinheiro para emprestar. Os US$ 12,5 bilhões ou US$ 16,4 bilhões de carteira vêm de algum lugar, seja capital próprio, depósitos de clientes, dívida ou venda de recebíveis. A empresa diz que a licença de financeira, de 2020, lhe deu acesso a fontes adicionais. Quanto cada fonte pesa em cada ano eu não confirmei, e o leitor deve olhar o relatório anual ou a seção de liquidez do formulário 10-K antes de tirar conclusões.
Banco sem ser banco
O caso: as licenças do grupo no Brasil
O capítulo traz "banco" no título, e a lei traz outra palavra. No Brasil, a palavra "banco" é regulada. A Resolução Conjunta nº 17, de 28 de novembro de 2025, regula a nomenclatura e a apresentação ao público das instituições, incluindo nome empresarial, nome fantasia, marca e domínio de internet, e restringe termos que sugiram uma atividade ou tipo de instituição sem a autorização específica, como "banco" ou "bank". A norma atingiu várias fintechs que usavam o termo na comunicação.
O Mercado Pago, no Brasil, tem as seguintes autorizações, segundo reportagem do Finsiders Brasil de 5 de fevereiro de 2026: instituição de pagamento, financeira por meio do Mercado Crédito e distribuidora de títulos e valores mobiliários, a DTVM, desde 2024. Naquela data, André Chaves, vice-presidente sênior do Mercado Pago no Brasil, disse em entrevista coletiva que não era prioridade avaliar a licença bancária no país, pelo menos por ora, e que não havia data. A matéria atribui a decisão ao custo de investimento, reorganização operacional e adaptação tecnológica que a licença exigiria, e à priorização de processos semelhantes em outros países. Na Argentina, o pedido de licença bancária foi feito em maio de 2025, e reportagens indicavam que o banco central argentino previa conceder as licenças antes do fim de 2026; encontrei uma fonte que tratava a aprovação como já formalizada, em contradição com as demais, e por isso a situação atual é um ponto a conferir. No México, o processo começou em 2024.
O mecanismo: o que cada licença permite
A diferença entre as licenças é de natureza prática. A instituição de pagamento mantém contas de pagamento, onde o cliente guarda saldo e movimenta dinheiro, e emite cartão. Ela não capta depósitos como um banco captaria, e o dinheiro dos clientes fica separado e protegido em regras próprias. A financeira, que no Brasil tem a figura da sociedade de crédito, financiamento e investimento, pode conceder empréstimos e financiamentos, mas não pode abrir conta corrente nem captar como um banco múltiplo. A DTVM distribui valores mobiliários, o que permite oferecer investimentos aos clientes.
Em conjunto, essas licenças permitem à empresa oferecer ao cliente conta, cartão, empréstimo e investimento. Falta o que só o banco faz: captar depósitos à vista e usá-los de forma ampla para emprestar. Para o consumidor, a diferença quase não se vê. Para a empresa, é uma questão de funding e de regulação. A licença bancária ampliaria as fontes de recurso, mas traria exigências de capital e supervisão mais pesadas. A declaração de fevereiro de 2026 sugere que, para o Brasil, a empresa julgou que as licenças existentes bastavam.
O título do capítulo é, portanto, uma figura. O Mercado Livre vira banco no sentido econômico, porque faz o que um banco faz do ponto de vista do cliente: guarda dinheiro, paga contas, empresta, dá cartão. Do ponto de vista legal, em outubro de 2026, ele não é banco no Brasil. Essa distinção tem consequência concreta e não é preciosismo: define quem o fiscaliza, de que forma ele se financia e com que nome pode se apresentar.
O ecossistema em campo: a margem que se paga
O caso: crescer mais do que lucrar
Em 2025, o Mercado Livre teve receita líquida de US$ 28,9 bilhões, segundo o comunicado de resultados do quarto trimestre e do ano, com alta de 39% sobre 2024. O lucro líquido foi de US$ 2 bilhões, com margem de 6,9%, e o resultado operacional foi de US$ 3,2 bilhões. Em 2024, a receita fora US$ 20,8 bilhões e o lucro líquido US$ 1,9 bilhão. A receita cresceu cerca de 39% e o lucro, cerca de 5%. Isso diz muita coisa sobre a estratégia.
No segundo trimestre de 2026, segundo reportagem do Money Times, a receita líquida foi de US$ 10,2 bilhões, alta de 50% sobre o ano anterior e o ritmo de crescimento mais forte em quatro anos, e o lucro líquido foi de US$ 466 milhões. O EBIT foi de US$ 683 milhões, queda de cerca de 17% em relação ao ano anterior, e a margem de EBIT foi de 6,7%, contra 12,2% um ano antes e 6,9% no primeiro trimestre de 2026. As ações caíram cerca de 8% no dia da divulgação. Segundo os analistas citados, a margem bruta foi pressionada por investimentos em desconto e por custos de frete; o Bradesco BBI notou que o resultado operacional dependia mais da fintech do que do comércio eletrônico.
O mecanismo: comprar mercado com margem
Esses números mostram uma escolha. A empresa podia ter protegido a margem e cedido mercado para concorrentes de preço baixo, como Shopee e Temu, que o Marketing Adversarial discute como disputa de aquisição. Em vez disso, baixou o piso do frete grátis para R$ 19, ampliou a frota e os centros de distribuição e subsidiou o frete do vendedor. A decisão faz sentido se o ecossistema tiver três propriedades: se o cliente conquistado voltar, se cada compra gerar dado e pagamento, e se uma parte do cliente usar depois o cartão e o crédito. Se isso acontecer, o prejuízo de margem no comércio é o custo de aquisição de um cliente financeiro.
É por isso que a análise do Bradesco BBI, de um resultado que depende mais da fintech que do e-commerce, é a frase mais reveladora do capítulo. O comércio vira porta de entrada, e o dinheiro vem do que acontece depois da compra. O risco é simétrico. Se a inadimplência subir, o ecossistema perde a camada que sustenta a margem, e a empresa fica com a camada que a consome.
O ecossistema encontra o regulador
Uma empresa que ocupa quatro camadas, marketplace, pagamento, logística e crédito, encontra órgãos públicos em quatro frentes. Os episódios abaixo estão documentados e são tratados com a distinção entre multa administrativa e condenação.
Concorrência. O Mercado Livre e o Mercado Pago foram partes denunciantes, em 2022, de uma investigação do Cade sobre as práticas da Apple no ecossistema iOS, relativas a taxas e pagamentos dentro de aplicativos. Em 23 de dezembro de 2025, o Cade firmou um termo de compromisso de cessação com a Apple, com multa de até R$ 150 milhões em caso de descumprimento, segundo o próprio Cade. A empresa brasileira aparece nesse caso como quem reclamou, não como quem foi investigada.
Consumidor. Em novembro de 2021, o Procon-SP e o Mercado Livre firmaram um termo de compromisso com obrigações de reembolso pela Compra Garantida, remoção de anúncios a pedido do órgão e relatórios trimestrais. É um acordo administrativo, e acordo não é confissão. Em 2023, o Procon-MG multou a Ebazar.com.br Ltda., que opera o Mercado Livre, em R$ 704 mil pela venda de preenchedores faciais injetáveis sem autorização da Anvisa, segundo o Ministério Público de Minas Gerais. O órgão apontou fornecedores sem autorização e um registro vencido desde 2013. Na época, a empresa podia recorrer. Magazine Luiza foi multada em R$ 8,3 milhões no mesmo caso, e eu não segui o desfecho dos recursos.
Telecomunicações. Em 2025, a Anatel manteve multa de R$ 6,27 milhões contra o Mercado Livre pela venda de equipamentos de telecomunicações não homologados, segundo o TecMundo, que cita a agência. A empresa contestou o processo em comunicado citado pela imprensa. É multa de agência reguladora, de natureza administrativa.
Tributos. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu em 2022 que plataformas de venda, entre elas o Mercado Livre, o Magazine Luiza e as Americanas, poderiam responder pelo ICMS de lojistas que vendem nelas, com base em lei estadual de 2020. O Supremo Tribunal Federal reconheceu repercussão geral do tema, que recebeu o número 1.413, no recurso extraordinário 1.554.371. A discussão central é se a lei ordinária pode definir o responsável por esse imposto ou se seria necessária lei complementar. Em setembro de 2025 não havia data de julgamento, e não localizei decisão de mérito até outubro de 2026. O estado é de pendência.
O que há de comum entre os quatro episódios é a escala. Uma plataforma que intermedeia milhões de anúncios responde por produtos que não fabricou e por impostos que não recolheu, e cada nova camada de serviço, pagamento, crédito, entrega, aumenta o número de reguladores à porta.
Hoje: outubro de 2026
Até outubro de 2026, a MercadoLibre, Inc. segue listada na Nasdaq com o símbolo MELI e, no Brasil, tem BDRs negociados como MELI34. Ariel Szarfsztejn é o presidente executivo desde 1º de janeiro de 2026, e Marcos Galperin é o presidente executivo do conselho. Em 2025, a receita foi de US$ 28,9 bilhões, com lucro líquido de cerca de US$ 2 bilhões. No segundo trimestre de 2026, a receita passou de US$ 10 bilhões em um único trimestre pela primeira vez, segundo a imprensa.
O Brasil continua sendo o maior mercado. Em 2024 representou cerca de 55% da receita consolidada, segundo o relatório anual. Para 2025, a imprensa citou 52,6% e uma receita no país de R$ 84,5 bilhões, valores que não conferi na tabela de segmentos do 10-K de fevereiro de 2026. Argentina, México e Brasil continuam como os três maiores mercados.
Em março de 2026, segundo reportagem, o Mercado Livre anunciou o plano de investir R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, incluindo 14 novos centros de distribuição. Em maio de 2026, a prefeitura de Itupeva, em São Paulo, informou que um novo centro de 52 mil metros quadrados, em operação 24 horas por dia, deveria gerar cerca de 2,4 mil empregos na região. As divergências sobre o total de empregos criados pelo plano, que variam entre as reportagens, sugerem conferir o comunicado original.
O frete grátis a partir de R$ 19, o peso do cartão, que no fim de 2025 era de US$ 5,7 bilhões numa carteira de US$ 12,5 bilhões, e a manutenção do crescimento de receita acima de 40% descrevem um ano de aposta. O custo aparece na margem, e a tese só será vista como acerto se a margem voltar. A dúvida dos analistas que acompanharam o balanço de agosto de 2026, segundo as reportagens, é o ritmo dessa volta.
O lado escuro
O ecossistema tem custos que o discurso de inclusão financeira costuma deixar de lado, e que podem ser listados com os documentos disponíveis.
O primeiro é o preço do crédito. As taxas divulgadas na estreia do Mercado Crédito, em 2018, iam de 2,25% a 5,5% ao mês. Na conta do livro, com juros compostos, 2,25% ao mês equivalem a cerca de 31% ao ano, e 5,5% ao mês, a cerca de 90% ao ano. O livro não afirma que as taxas atuais sejam as mesmas, porque não as confirmou. Afirma que crédito dado por quem enxerga o fluxo de caixa do tomador é mais barato do que o do agiota e, na maior parte das vezes, mais caro do que o de um banco, e que o público do crédito da plataforma inclui vendedores e consumidores com acesso limitado ao crédito bancário, segundo a própria empresa, sem que eu tenha dado de quantos.
O segundo é a assimetria entre plataforma e vendedor. O vendedor não escolhe o preço do frete, a posição do anúncio nem a regra de reputação. Quando a plataforma muda o critério, como fez com o piso do frete grátis, o vendedor acompanha. O pequeno vendedor que toma crédito da plataforma e depende dela para vender está exposto duas vezes à mesma decisão.
O terceiro é o produto ilegal. As multas do Procon-MG e da Anatel, descritas acima, apontam para o problema de uma vitrine aberta a milhões de vendedores: o controle prévio é difícil, e a responsabilidade se discute depois. As multas são administrativas, as empresas podem recorrer, e o livro não as trata como condenação.
O quarto é a inadimplência futura. A carteira de crédito dobrou de tamanho em 2025 e continuou crescendo em 2026. Uma carteira que cresce muito depressa tem uma parcela grande de contratos novos, e contratos novos ainda não mostraram como se comportam em uma fase ruim da economia. O dado de 15 a 90 dias, que a empresa mostra como baixo, é um indicador de curto prazo. Crédito em crescimento rápido é um tipo de aposta que só se avalia depois do ciclo.
O quinto é a concentração. Uma empresa que reúne comércio, pagamento, entrega e crédito reúne também risco: uma falha de sistema, uma decisão regulatória ou uma crise de confiança atinge todas as camadas ao mesmo tempo, e o cliente que usa as quatro tem tudo nas mãos do mesmo fornecedor.
A lição para o seu negócio
Esta lista é para o pequeno ou médio negócio, seja ele um vendedor em marketplace, uma loja com e-commerce próprio ou uma indústria que vende ao varejo.
- Calcule sua margem depois de todas as camadas: comissão, frete, anúncio, tarifa de pagamento e juros de parcelamento. A margem de produto não é a margem do negócio.
- Saiba que dado você entrega à plataforma. Cada venda, devolução e recebimento ensina à plataforma algo sobre o seu negócio que ela pode usar a favor dela.
- Tenha pelo menos um canal em que o cliente é seu. O marketplace é bom para aquisição, e a recompra rende mais fora dele, dentro das regras de cada plataforma.
- Se tomar crédito da plataforma, compare o custo total com o de um banco, inclusive o desconto automático das parcelas sobre as suas vendas. Se a plataforma muda a regra, a parcela continua.
- Não faça do crédito de giro o seu capital permanente. Crédito de curto prazo financia estoque que gira, não prejuízo.
- Entenda o frete como parte da oferta. Se o seu concorrente entrega mais rápido e mais barato por causa da logística da plataforma, o preço do seu produto não é o único fator da concorrência.
- Acompanhe a reputação como ativo. É ela que define sua posição de busca, seu acesso a programas como o Full e, em alguns casos, seu limite de crédito.
- Se você é quem constrói um ecossistema, comece pela camada que gera dado e só então adicione a que monetiza. O pagamento veio antes do crédito por uma razão.
- Quando for emprestar, meça a perda esperada antes de olhar o juro. A conta de uma carteira se decide na inadimplência.
- Antes de entrar em um negócio regulado, pergunte qual licença é necessária e quanto custa. A diferença entre instituição de pagamento, financeira e banco é a diferença entre os recursos que você pode usar.
Perguntas para discutir
- O Mercado Livre aceitou perder margem no comércio para ganhar cliente para o crédito. Em que condições essa troca é racional, e que sinais indicariam que ela deu errado?
- O crédito baseado em dados de pagamento é mais barato que o do banco tradicional para o tomador? Para quem ele é mais barato e para quem é mais caro?
- A empresa declarou, em fevereiro de 2026, que a licença bancária não era prioridade no Brasil. O que ela ganha e o que perde ao permanecer como instituição de pagamento e financeira?
- Um vendedor que depende do marketplace para vender, do pagamento para receber, do frete para entregar e do crédito para girar tem um fornecedor ou um sócio oculto? Onde está o limite?
- Quando um ecossistema responde por produtos de terceiros, o que é razoável exigir da plataforma antes e depois da venda, e o que é responsabilidade do vendedor?
Exercícios
- Margem em camadas. Escolha um produto que você vende ou poderia vender em marketplace. Monte a conta completa do preço de venda: custo, imposto, comissão, frete, anúncio e tarifa de pagamento. Entrega: uma tabela com o que sobra em reais e em porcentagem.
- Custo efetivo do crédito. Peça a simulação de um empréstimo de capital de giro a dois fornecedores diferentes, um banco e uma plataforma. Compare o custo efetivo total, o prazo e a forma de pagamento. Entrega: página única com as duas propostas lado a lado.
- Mapa de dados. Liste os dados que cada plataforma em que você vende conhece sobre o seu negócio e o que ela poderia fazer com eles. Entrega: um quadro de duas colunas.
- Leitura de um relatório de resultados. Abra o comunicado de resultados trimestrais de uma empresa com fintech e separe as receitas de comércio das de serviços financeiros e a inadimplência de curto prazo. Entrega: um resumo de dez linhas com fontes.
- Teste de dependência. Calcule que parte das suas vendas passa por uma única plataforma e o que aconteceria com o seu caixa se ela mudasse a tarifa de frete em 30%. Entrega: uma planilha com dois cenários.
Prompt de estudo
Atue como analista de plataformas digitais. Vou descrever um negócio que combina marketplace, pagamentos, logística e crédito. Explique, camada por camada, que dado cada uma gera, que receita cada uma cobra e como as camadas se reforçam. Aponte onde a concentração cria risco para o cliente e para a empresa. Separe o que é fato do que é suposição, e pergunte o que faltar antes de concluir.
Atue como analista de crédito. Vou descrever uma carteira de empréstimos a pequenos vendedores, com taxa mensal, prazo, perda esperada e custo de captação. Monte um cenário ilustrativo, marcado como tal, do resultado da carteira antes de despesas e mostre como o resultado muda se a perda dobrar. Explique por que a inadimplência de curto prazo é um indicador incompleto em carteiras que crescem rápido.
Fontes e leituras
Documentos e reportagens consultados ou localizados na apuração. O estado de cada episódio é o de outubro de 2026; onde o texto diz que algo não foi conferido, a informação veio de imprensa ou de resumo secundário.
- SEC. Formulário 8-K da MercadoLibre, 16 de maio de 2025 (sucessão de Galperin): https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1099590/000199937125006530/meli-8k_051625.htm
- SEC. Prospecto da oferta de 2007 e prospecto de 2019 com a história da companhia: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1099590/000119312507178904/d424b1.htm e https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1099590/000114036119004743/s002725x2_424b5.htm
- SEC. Formulário 10-K de 2024, tabela de segmentos: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1099590/000109959025000007/R46.htm
- SEC. Formulário 10-K de 2025: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1099590/000109959026000006/meli-20251231.htm
- MercadoLibre. Resultados do quarto trimestre e de 2025: https://news.mercadolibre.com/en/financial-results-fourth-quarter-2025
- Money Times. Resultados do segundo trimestre de 2026 do Mercado Livre, agosto de 2026: https://www.moneytimes.com.br/mercado-livre-melimeli34-acoes-caem-8-apos-2t26-o-que-pesou-no-balanco-lmrs/
- Mobile Time. Resultados de 2025 do Mercado Livre e do Mercado Pago, fevereiro de 2026: https://www.mobiletime.com.br/noticias/25/02/2026/mercado-livre-2025-2
- BBC. Reportagem sobre a participação do eBay: https://www.bbc.co.uk/news/business-29423534
- Stanford GSB. Perfil de Marcos Galperin: https://www.gsb.stanford.edu/experience/news-history/argentine-entrepreneur-makes-campus-gift
- Mercado Pago. História do Mercado Pago: https://www.mercadopago.com.br/blog/historia-do-mercado-pago
- Exame. Plataforma Mercado Pago liberada para outros sites, 2004: https://exame.com/tecnologia/plataforma-mercadopago-liberada-outros-sites-553852/
- Exame/Estadão Conteúdo. "Em nova fase, Mercado Livre vai emprestar dinheiro", 11 de maio de 2017: https://exame.com/tecnologia/em-nova-fase-mercado-livre-vai-emprestar-dinheiro/
- Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Estreia do crédito a vendedores, 30 de janeiro de 2018: https://revistapegn.globo.com/Negocios/noticia/2018/01/mercado-livre-estreia-servico-de-credito-para-os-empreendedores-do-marketplace.html
- Valor. Crédito ao consumidor (30 de agosto de 2019), novas soluções de crédito (8 de junho de 2020) e financeira do Mercado Livre (9 de novembro de 2020): https://valor.globo.com/financas/noticia/2019/08/30/mercado-livre-avanca-em-credito-para-consumidor.ghtml, https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/06/08/mercado-pago-lana-novas-solues-de-crdito-para-empreendedores-e-consumidores.ghtml e https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/11/09/banco-central-aprova-criao-de-financeira-do-mercado-livre.ghtml
- Startupi. Autorização do Banco Central ao Mercado Crédito, novembro de 2020: https://startupi.com.br/mercado-livre-recebe-autorizacao-do-banco-central-para-atuar-como-instituicao-financeira/
- Banco Central do Brasil. Quadro de autorizações, novembro de 2018: https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira/evolucaosfnmes/QEVSFN201811-Quadro 09 - Autorizações e alterações societárias principais ocorrências.pdf
- G1. Autorização como emissor de cartão, 11 de março de 2020: https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/03/11/mercadopago-recebe-autorizacao-para-atuar-como-emissor-de-cartao-de-credito.ghtml
- Finsiders Brasil. "Mercado Pago diz que licença bancária no Brasil não é prioridade", 5 de fevereiro de 2026: https://finsidersbrasil.com.br/bancos-digitais/mercado-pago-diz-que-licenca-bancaria-no-brasil-nao-e-prioridade/
- Mercado&Consumo. Mercado Pago chega a 72 milhões de usuários, 30 de outubro de 2025: https://mercadoeconsumo.com.br/30/10/2025/economia/mercado-pago-chega-a-72-milhoes-de-usuarios-e-carteira-de-credito-vai-a-us-11-bi/
- Carta Logística. Participação dos Correios nas entregas do Mercado Livre: https://www.cartadelogistica.com.br/meli-reduz-participacao-dos-correios-em-suas-entregas-a-menos-de-5/
- Valor International. Meta de 72 centros logísticos no Brasil, outubro de 2026 (não aberto nesta apuração): https://valorinternational.globo.com/business/news/2026/10/14/mercado-libre-expects-to-end-2026-with-72-logistics-centers-in-brazil.ghtml
- Mercado&Consumo. Investimento de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, 24 de março de 2026: https://mercadoeconsumo.com.br/24/03/2026/ecommerce/mercado-livre-anuncia-investimento-de-r-57-bilhoes-no-brasil-em-2026/
- Mercado&Consumo e Hardware.com.br. Frete grátis a partir de R$ 19, junho de 2025: https://mercadoeconsumo.com.br/06/06/2025/ecommerce/na-disputa-do-e-commerce-mercado-livre-zera-frete-para-pedidos-a-partir-de-r-19/
- Cade. Termo de compromisso com a Apple, 23 de dezembro de 2025: https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade-signs-a-cease-and-desist-agreement-with-apple
- Procon-SP. Termo de compromisso com o Mercado Livre, 11 de novembro de 2021: https://www.procon.sp.gov.br/procon-sp-e-mercado-livre-firmam-termo-de-compromisso/
- Ministério Público de Minas Gerais. Multa do Procon-MG, 2023: https://www.mpmg.mp.br/portal/menu/comunicacao/noticias/procon-mg-multa-magazine-luiza-e-mercado-livre-por-venda-irregular-de-preenchedores-faciais-injetaveis.shtml
- TecMundo. Multa da Anatel, 2025: https://www.tecmundo.com.br/mercado/407814-mercado-livre-e-multado-em-r-6-milhoes-por-venda-de-produtos-ilegais.htm
- STF. Repercussão geral sobre ICMS em plataformas (Tema 1.413): https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-vai-discutir-se-lei-ordinaria-pode-definir-responsavel-por-icms-em-plataformas-de-venda/
- O Globo. Decisão do TJ-RJ sobre ICMS e marketplaces, agosto de 2022: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/08/marketplaces-sao-responsaveis-por-icms-dos-lojistas-que-usam-suas-plataformas-decide-justica-do-rio.ghtml
- Para o contexto dos livros irmãos: Marketing Adversarial, capítulo 12 (marketplaces); O Manual do Perito, capítulo 13 (chargeback).