Tema
5. Por que a mentira cola
Três sessões, a cada duas semanas
Imagine-se um estudante universitário nos Estados Unidos, em meados dos anos 1970, convocado para um experimento de psicologia. Ninguém lhe diz que o assunto é desinformação, até porque a palavra ainda não circula assim. A tarefa parece banal: ele recebe uma lista de sessenta afirmações e, para cada uma, marca numa escala de sete pontos o quanto acha que ela é verdadeira. O número quatro significa "incerto". O cinco, "possivelmente verdadeiro". O seis, "provavelmente verdadeiro". O sete, "definitivamente verdadeiro". As frases tratam de política, esportes, artes, ciência, e foram escritas de propósito para soar plausíveis sem serem conhecidas. Uma delas, citada pelos próprios autores como exemplo do tipo, dizia que a população total da Groenlândia é de cerca de cinquenta mil pessoas. A maioria de nós não sabe de cabeça. Também não consegue descartar.
Este parágrafo descreve o procedimento real, documentado no artigo publicado em 1977 por Lynn Hasher e David Goldstein, da Universidade Temple, e Thomas Toppino, da Universidade Villanova, no Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior. A figura do estudante é minha, uma forma de contar a cena. O desenho do experimento, não. Os participantes voltaram ao laboratório três vezes, com intervalos de duas semanas, e a cada sessão receberam uma lista de sessenta frases. No meio de cada lista, vinte frases críticas apareciam de novo nas sessões seguintes, e outras ficavam de fora das repetições. Metade das frases, em cada grupo, era verdadeira. A outra metade, falsa.
O resultado cabe numa linha do resumo do artigo. Para frases verdadeiras e para frases falsas, a nota de validade subia nas frases repetidas. Nas não repetidas, ficava onde estava. Os autores concluíram que a frequência com que uma afirmação plausível aparece parece servir de critério para estabelecer sua validade referencial. Em outras palavras, quanto mais vezes o estudante via a frase, mais certo ficava de que ela era verdadeira, sem que ninguém lhe apresentasse prova alguma.
Convém dizer logo o que esse experimento não prova, porque o capítulo inteiro funciona assim: cada achado vem com a fronteira ao lado. Foram quarenta estudantes cujos dados entraram na análise (dez outros foram descartados por não terem comparecido às três sessões). As frases eram curtas, plausíveis e de baixa familiaridade. Ninguém estava sendo doutrinado, ninguém tinha lado numa disputa, ninguém sentia raiva ou medo. O que o estudo isola é um mecanismo pequeno e quase mecânico: a sensação de já ter visto aquilo vira, sem que a pessoa perceba, um indício de que aquilo é verdade.
O resto do capítulo trata de como esse mecanismo pequeno se encontra com outros maiores, a identidade de grupo, a velocidade das redes, a estratégia de quem despeja mensagens em volume industrial, e de por que as correções, que deveriam resolver o problema, funcionam menos do que se espera e mais do que se teme.
O que você vai levar deste capítulo
Repetir uma afirmação aumenta a sensação de que ela é verdadeira, mesmo quando é falsa e mesmo, em alguns experimentos, quando a pessoa tem o conhecimento certo guardado na memória. Identidade e vontade de acreditar influenciam o que as pessoas aceitam, mas a pesquisa não autoriza dizer que todo mundo só acredita no que combina com o seu lado. Falsidades circulam mais longe e mais rápido do que verdades em certas bases de dados, ao mesmo tempo em que a maior parte do consumo de notícias de uma população é de fontes comuns e a exposição à desinformação é muito concentrada em poucas pessoas. Corrigir, em média, ajuda um pouco, quase nunca apaga tudo, e o temido efeito contrário da correção se mostrou bem mais raro do que se imaginou. E um experimento brasileiro de grande porte sobre correções, feito na eleição de 2018, não encontrou efeito de checagem nos itens testados, o que obriga a ser cuidadoso com as duas conclusões fáceis.
A verdade ilusória: quando o familiar passa por verdadeiro
O fenômeno que Hasher e colegas observaram ganhou um nome na literatura científica: efeito da verdade ilusória. A explicação mais aceita fala em fluência. Uma frase já vista é processada com menos esforço pelo cérebro, e essa facilidade é interpretada, sem aviso, como um sinal de que a frase é conhecida e, portanto, provavelmente correta. Em quase todas as situações da vida, a heurística funciona. O que você já ouviu muitas vezes, em geral, tem alguma base. O problema é que o canal que alimenta essa sensação é indiferente à qualidade da fonte. Uma mentira repetida produz, no experimento, o mesmo aumento de conforto que uma verdade repetida. O estudo não separou quem repetia: a questão de saber se a repetição por fontes aparentemente independentes pesa mais do que a repetição pela mesma fonte ficou fora do desenho, e quem tem interesse em plantar uma ideia pode explorar o canal sem que o experimento diga o quanto.
O experimento de 1977 sugeria que a coisa valia para afirmações de baixa familiaridade. Alguém poderia imaginar que, com o conhecimento prévio, o efeito desaparece: se eu sei que o Atlântico não é o maior oceano do mundo, ouvir a frase contrária dez vezes não me convencerá. Fazio e colegas testaram essa hipótese e publicaram o resultado em 2015 no Journal of Experimental Psychology: General, num artigo intitulado, sem rodeios, "O conhecimento não protege contra a verdade ilusória". Em seus experimentos, o efeito apareceu mesmo em participantes que sabiam a resposta certa. Os autores chamaram o fenômeno de negligência do conhecimento: a pessoa tem a informação correta guardada, mas não a usa quando a frase repetida chega com a fluência de quem já é familiar. O que se mostrou foi que o efeito não se restringe ao território da ignorância. O que não se mostrou é que ele tenha a mesma força com toda afirmação, nem que ele dobre qualquer crença firme. Pennycook, Cannon e Rand, no mesmo periódico em 2018, usaram manchetes falsas no formato em que apareciam no Facebook e observaram que uma única exposição anterior aumentava a nota de precisão que os participantes davam à manchete, tanto na mesma sessão quanto uma semana depois. Segundo o artigo, avisos de que a manchete era contestada reduziram a precisão percebida em geral em alguns estudos, mas não eliminaram o efeito da repetição, o que sugere que marcar uma história como "disputada" não resolve o problema sozinho. O mesmo artigo registra que a repetição não faz diferença para afirmações totalmente implausíveis, como dizer que a Terra é um quadrado perfeito. Uma pitada de plausibilidade basta, e só é preciso uma pitada.
A técnica: o que o publicitário faz com isso
Quem trabalha com propaganda não precisa ler Hasher para saber o que a repetição faz. A tradição que este livro percorreu nos capítulos anteriores já tinha entendido, por tentativa e erro, que a mensagem de uma campanha vence pela insistência. Bernays, no cap. 1, organizava eventos e depois fazia o jornal repetir a notícia do evento. O cap. 2 contou a história da frase que se atribui a Goebbels sobre a mentira repetida mil vezes, que ele provavelmente nunca disse nesses termos, e vale lembrar que a melhor evidência de que a frase pega é o fato de ela própria ter pegado: muita gente a repete como certa, e a repetição é parte do que a mantém viva. O cap. 3 mostrou o KGB espalhando a tese da origem americana da aids em publicações aparentemente independentes, para que o leitor encontrasse a mesma ideia em lugares diferentes e a tomasse como confirmada.
A técnica, desmontada, tem cinco peças. O público é escolhido onde a frase é plausível: um boato sobre um político só gruda em quem já aceita que políticos fazem esse tipo de coisa. A mensagem é curta e fácil de repetir, porque fluência depende de forma. A emoção ajuda a memorizar, mas o motor é a repetição. O canal precisa ser variado, para que a repetição pareça confirmação independente. E o mensageiro pode ser trocado, porque a pessoa raramente guarda de onde veio a frase; guarda a frase. Por isso, é plausível, como hipótese estratégica e não como resultado de Hasher e colegas, que o mesmo conteúdo replicado por dez contas diferentes pareça mais forte do que dito dez vezes pela mesma conta; o experimento clássico não testou variação de fonte. A medição de resultado, nas campanhas, é banal: contam-se compartilhamentos, buscas e, quando há dinheiro, pesquisa de opinião. Ninguém precisa medir se a pessoa ficou convencida. Basta ver que a frase voltou.
A defesa
A defesa individual contra a verdade ilusória é pouco intuitiva, porque exige desconfiar da própria sensação de familiaridade. A pergunta útil não é "isso parece certo?", e sim "de onde eu sei isso?". Se a resposta for "porque já vi muito", você descobriu que está usando a fluência como prova. Para as instituições, a lição é que repetir o falso para desmenti-lo tem um custo. O sanduíche da verdade, que este livro adota, existe por causa disso: o fato verdadeiro vem primeiro, a falsidade aparece uma vez, claramente marcada, e o fato verdadeiro volta no fim.
Raciocínio motivado: acreditar no que combina com quem somos
A familiaridade é um mecanismo sem lado. O raciocínio motivado, não. A expressão descreve a tendência de avaliar evidências com mais rigor quando elas contradizem aquilo que já queremos que seja verdade e com mais generosidade quando elas confirmam. A psicóloga Ziva Kunda deu forma clássica à ideia numa revisão teórica de 1990, publicada no Psychological Bulletin, que reúne evidências de que objetivos e desejos influenciam como se raciocina. Uma linha de pesquisa relacionada, mas distinta, é a de Dan Kahan e colegas sobre a cognição que protege a identidade, segundo a qual, quando uma crença é parte de quem a pessoa é, aceitar o contrário pode custar socialmente, porque afasta do grupo. A explicação social é uma interpretação apoiada por estudos específicos de Kahan e colegas, em temas e amostras determinados, e não um mecanismo demonstrado para toda crença.
É um mecanismo bem documentado, e é tentador transformá-lo em explicação universal. O livro não faz isso, por três razões. A primeira é que a maior parte das pessoas não está numa guerra de identidade a respeito de cada afirmação que lê. Cenário ilustrativo: uma mulher recebe no grupo da família uma mensagem sobre uma suposta dica de saúde e pode compartilhá-la por afeto, por pressa, por conforto de pertencimento ou por pura distração, sem que haja qualquer motivo ideológico. A segunda razão é que há evidência que se encaixa mal com a explicação puramente identitária. Pennycook e Rand publicaram em 2019, na revista Cognition, um estudo com 3.446 participantes que avaliaram manchetes verdadeiras e falsas, algumas politicamente neutras e outras favoráveis a democratas ou a republicanos. Quem tinha melhor desempenho num teste de reflexão cognitiva dava menos crédito às manchetes falsas, independentemente de elas combinarem ou não com a posição política da pessoa. Os dois estudos do artigo, feitos com trabalhadores de uma plataforma online de recrutamento, levaram os autores a concluir que, nos julgamentos de manchetes partidárias, a suscetibilidade a notícias falsas se explica melhor por menor reflexão analítica do que por viés partidário. Eles também relataram não ter encontrado evidência, nesses dados, de que pensar de forma analítica piore o raciocínio motivado. O resultado vale para esse tipo de tarefa e essa amostra e não elimina o raciocínio motivado em outros contextos. A terceira razão é que a própria literatura é cheia de resultados que dependem do tema, do período e da definição do que conta como falso. Há estudos que mostram diferenças entre grupos em exposição ou compartilhamento, e a pesquisa de Grinberg e colegas, que veremos adiante, aponta que as pessoas mais expostas a fontes de notícias falsas no Twitter em 2016 eram conservadoras, mais velhas e muito engajadas em notícias políticas. Esse resultado descreve uma plataforma, um país e um ano, com uma definição específica de "fonte falsa". Não é um retrato permanente de nenhum campo político, e quem o transforma em lei do comportamento de direita ou de esquerda erra, porque os próprios autores dizem que, para pessoas de todo o espectro, a maior parte do consumo político ainda vinha de veículos tradicionais.
O livro adota então uma regra de leitura. Quando alguém lhe disser que "os eleitores do outro lado acreditam em qualquer coisa", peça o estudo, o país, o ano e a definição. E faça o teste de simetria da seção 5 do plano editorial: troque o lado e veja se a frase continua sendo uma conclusão sustentada ou virou apenas uma ofensa.
Brasil, 2018: seis boatos em um questionário
O melhor ponto de encontro entre repetição, identidade e correção, no contexto brasileiro, é um estudo publicado por Frederico Batista Pereira, Natália Bueno, Felipe Nunes e Nara Pavão no Journal of Politics. O artigo saiu online em 24 de agosto de 2022 e no volume 84, número 4, de outubro do mesmo ano, com o título "Fake News, Fact Checking, and Partisanship: The Resilience of Rumors in the 2018 Brazilian Elections". Antes de descrever o que ele encontrou, convém ler o método com atenção, porque o resultado é frequentemente citado de forma mais ampla do que o artigo permite.
A pesquisa foi feita entre 4 e 6 de outubro de 2018, ou seja, nos dias imediatamente anteriores ao primeiro turno, que ocorreu em 7 de outubro. Não foi uma amostra nacional. O trabalho de campo ocorreu em Minas Gerais, com 2.236 respondentes de 16 a 75 anos entrevistados presencialmente com questionários em tablets, numa amostra por cotas de idade, sexo, escolaridade e renda, estratificada pelas regiões do estado. A coleta foi inserida no fim de uma pesquisa semanal eleitoral da Quaest Consultoria e Pesquisa. O artigo declara, na nota de rodapé de abertura, que um dos autores, Felipe Nunes, é presidente da Quaest, que o estudo foi totalmente financiado pela empresa e que ele não recebeu retorno financeiro. A análise foi replicada pelo analista de replicação da revista.
O desenho foi o seguinte. Os entrevistadores mostravam aos respondentes, na tela, um boato que de fato circulou, com a imagem e o texto originais, e perguntavam se acreditavam. Metade dos participantes, sorteada ao acaso, recebia em seguida a informação de que agências de checagem que investigam boatos na internet tinham verificado a história e concluído que era falsa. A outra metade não recebia correção. Foram seis boatos no total, quatro políticos e dois não políticos, sobre celebridades. Dois dos políticos eram favoráveis ao PT: que o papa Francisco teria dito que o maior crime de Lula foi tentar combater a fome no mundo, e que uma criança teria secado as lágrimas de Lula na televisão. Dois eram desfavoráveis: que uma revista britânica teria eleito Lula o presidente mais corrupto do mundo, e que a senadora Fátima Bezerra, do PT, queria autorizar o uso de internet Wi-Fi em presídios brasileiros. As quatro peças foram reproduzidas, no estudo, como falsas segundo as agências de checagem do país, e é por isso, e somente por isso, que este livro as chama de falsas. Os autores observam, em nota, que a maior parte dos boatos que circulava na campanha era contra o PT: duas noites antes do segundo turno, três agências (Lupa, Aos Fatos e Fato ou Fake) diziam ter verificado 123 boatos durante a campanha, dos quais 104 eram contra o PT e 19 contra Jair Bolsonaro. Esse número descreve o que essas três agências escolheram verificar e publicar, e não é, por si só, uma medida de quem produziu mais mentiras; as agências selecionam o que verificam por critérios como alcance e circulação, e uma medida de produção exigiria outro desenho.
Os resultados, nas palavras do resumo, foram duros para o otimismo da checagem. As correções foram ineficazes para reduzir a aceitação dos boatos, inclusive no grupo em que mais se esperava que funcionassem: entre os não partidários e quando a correção confirmava a predisposição política da pessoa. O partidarismo, por outro lado, previa bem em que boatos as pessoas acreditavam. O raciocínio motivado ajuda a explicar a crença, mas não explica a ineficácia da correção. Os autores testaram outras variáveis que a literatura sugeria, como dogmatismo, desengajamento, escolaridade, interesse por política, idade e sexo, e nenhuma delas produziu resultado substantivo ou significativo. Compararam ainda o efeito encontrado com a estimativa agrupada de estudos anteriores e disseram que o brasileiro é notavelmente menor, com diferença estatisticamente significativa. Também mencionaram um estudo de Carey e colegas, de 2020, sobre boatos de surtos de doença no Brasil, com resultado consistente, e escreveram que não achavam que a ausência de estudos publicados com resultado nulo se devesse a viés de publicação.
O que tirar disso? Primeiro, a resposta curta que o resultado autoriza: em um estado brasileiro, em outubro de 2018, uma frase curta dizendo que agências de checagem consideraram o boato falso não mudou o que os entrevistados diziam acreditar, nos seis casos testados. Segundo, as perguntas que ele deixa em aberto. A correção usada foi uma única frase, sem explicação, sem repetição, sem a fonte familiar da pessoa, e aplicada no calor de uma eleição polarizada. O estudo mede a crença declarada no momento, não o voto, nem a crença seis meses depois. Terceiro, o limite geográfico: um estado, ainda que populoso, e uma data. O estudo não diz que checagem é inútil. Ele diz que, neste contexto, esta forma de correção não moveu o ponteiro, e pede que se pesquise mais em democracias que não são os Estados Unidos, onde quase toda a literatura se formou.
Quanto uma mentira realmente circula
Quando se fala em "a mentira cola", a imagem que vem à cabeça é a da avalanche: um boato que corre mais rápido do que qualquer desmentido e cobre tudo. Existe um estudo famoso que parece confirmar essa imagem e, ao mesmo tempo, outros dois que a complicam. Convém lê-los juntos.
O caso: Vosoughi, Roy e Aral
Em 9 de março de 2018, a revista Science publicou "The spread of true and false news online", assinado por Soroush Vosoughi, Deb Roy e Sinan Aral, do MIT. Os autores estudaram todas as histórias verificadas, verdadeiras e falsas, distribuídas no Twitter de 2006 a 2017. Foram cerca de 126 mil histórias, tuitadas por cerca de 3 milhões de pessoas mais de 4,5 milhões de vezes. A classificação em verdadeiro e falso veio de seis organizações independentes de checagem, que concordavam entre si em 95% a 98% dos casos. O resultado, nas palavras do resumo, foi que a falsidade se difundiu significativamente mais longe, mais rápido, mais fundo e de maneira mais ampla do que a verdade em todas as categorias de informação, com efeitos mais pronunciados para política falsa do que para histórias falsas sobre terrorismo, desastres naturais, ciência, lendas urbanas ou finanças. As falsas eram mais novas, no sentido de mais inesperadas do que as verdadeiras, o que, segundo os autores, sugere que as pessoas compartilham novidade. Nas respostas, as falsas despertavam medo, nojo e surpresa, e as verdadeiras, antecipação, tristeza, alegria e confiança. E, contrariando o senso comum, os robôs aceleravam a difusão de histórias verdadeiras e falsas na mesma proporção, o que, para os autores, implica que as falsas se espalham mais porque os humanos, e não os robôs, têm mais probabilidade de espalhá-las.
É um estudo importante, e importa dizer por que ele não prova tudo o que se diz dele. Os dados são de uma única plataforma, que não é a principal em muitos países, e o Brasil é o exemplo óbvio, em que a conversa política migra para aplicativos de mensagem. A amostra são rumores que foram checados por organizações de verificação, o que já é uma seleção: o que virou notícia verificável não representa tudo o que circula. O estudo mede difusão, não crença. Um tuíte falso pode ser retuitado por pessoas indignadas, debochando, corrigindo ou avisando que é falso, e a cascata não distingue. E a conclusão não é que "a mentira sempre viraliza mais", mas que, entre as histórias checadas na amostra, as falsas alcançavam mais gente do que as verdadeiras.
O caso: poucos, e muito expostos
O segundo estudo vem da Science de 25 de janeiro de 2019. Nir Grinberg, Kenneth Joseph, Lisa Friedland, Briony Swire-Thompson e David Lazer examinaram a exposição e o compartilhamento de notícias falsas por eleitores registrados no Twitter durante a eleição presidencial americana de 2016. Eles encontraram, nas palavras do resumo, que o engajamento com fontes de notícias falsas era extremamente concentrado: apenas 1% dos indivíduos respondia por 80% das exposições a fontes falsas, e 0,1% respondia por quase 80% dos compartilhamentos. Os mais propensos a se engajar eram os de inclinação conservadora, mais velhos e muito ligados a notícias políticas. Um grupo de fontes falsas compartilhava públicos sobrepostos na extrema direita, e, para pessoas de todo o espectro, a maior parte da exposição a notícias políticas ainda vinha de veículos tradicionais. Os limites são do próprio desenho: eleitores identificáveis no Twitter, eleição americana de 2016, uma definição operacional de fonte falsa, e foco em links públicos, de modo que mensagens privadas e conteúdo visto sem clique ficam de fora.
O terceiro estudo é de Andrew Guess, Brendan Nyhan e Jason Reifler, na Nature Human Behaviour, em 2020. Eles combinaram um levantamento por pesquisa com o histórico de navegação dos participantes na época da eleição americana de 2016. Dos 3.251 respondentes da amostra, 2.525 tinham dados de navegação em computador. O resultado: 44,3% dos adultos americanos visitaram ao menos um site classificado como não confiável no período, mas esses sites respondiam por cerca de 5,9% dos artigos de notícias duras lidos, uma parcela pequena da dieta média. Segundo os autores, esse consumo era concentrado num subconjunto de americanos com forte preferência por informação que confirma o que já pensam, e o Facebook aparece como via importante de chegada. O conjunto de sites conservadores respondia por 4,6% da dieta de notícias duras e o de sites liberais por 0,6%, e o grupo dos 20% de dietas informacionais mais conservadoras respondia por 62% das visitas, números que descrevem aquela eleição, aquela lista de domínios e aquela amostra de pessoas que consentiram em ter a navegação registrada. Ficam de fora aplicativos fechados e conteúdo visto sem abrir.
Os três juntos formam um retrato mais equilibrado. A falsidade, quando checada, tende a viajar mais longe do que a verdade checada. A maioria das pessoas encontra pouco material do tipo na sua dieta, mas quase metade esbarra em algum. E o grosso da circulação vem de uma minoria muito ativa. Os três estudos têm em comum uma limitação que merece ser dita sem pressa: nenhum deles mede se alguém mudou de opinião, e muito menos de voto. O leitor que sair daqui acreditando que a desinformação decidiu a eleição de 2016, ou qualquer outra, não leu o que os autores escreveram. E o leitor que sair achando que ela é irrelevante também não.
A mangueira de falsidades: quando o volume é a estratégia
Há uma estratégia que usa a verdade ilusória de forma deliberada e em escala. Em julho de 2016, os pesquisadores Christopher Paul e Miriam Matthews, da RAND Corporation, publicaram o texto "The Russian 'Firehose of Falsehood' Propaganda Model" (RAND, PE-198), uma análise da propaganda russa no contexto da Crimeia e da Ucrânia. Eles a descrevem como de alto volume e multicanal, rápida, contínua e repetitiva, e sem compromisso com a consistência. O texto sustenta que a estratégia se apoia em achados da psicologia: muitas fontes e muita repetição aumentam a sensação de credibilidade, a primeira impressão pesa, e mensagens que contradizem umas às outras ainda assim ajudam o propagandista, porque o público não faz a conta. É uma descrição estratégica com base em revisão de literatura, e não um estudo que meça um tamanho de efeito. Ela também propõe, para a resposta, advertir o público antes de a falsidade chegar, repetir a correção e oferecer uma narrativa alternativa, em vez de apenas negar.
Duas observações de equilíbrio. A primeira é que a estratégia de volume não tem endereço único. O vocabulário do RAND nasceu de um caso russo, e o livro tratará de operações de vários países no cap. 9, com a mesma régua para todos, mas qualquer ator com recurso e pouco escrúpulo pode adotá-la: partidos, campanhas, empresas, governos. Quem diz "só os outros fazem isso" está se oferecendo ao mecanismo. A segunda é que a RAND descreve uma estratégia, e não prova que ela convença. O que a literatura sobre verdade ilusória e a pesquisa sobre exposição concentrada sugerem, em conjunto, é um quadro mais modesto e mais plausível: a mangueira não precisa convencer a maioria, basta que produza dúvida, cansaço e familiaridade em quem já estava inclinado a acreditar, e que dê a esse público algo para repetir.
A defesa em escala
Para uma redação ou uma plataforma, a lição prática é que desmentir cada item um a um contra um volume industrial é uma batalha perdida de antemão. O que sobra é agir em quatro pontos: avisar o público de que uma campanha de volume está em curso antes do pico, o que os pesquisadores chamam de prebunking e o cap. 14 trata em detalhe; corrigir com explicação, e não só com carimbo; repetir a correção, porque a falsidade foi repetida; e oferecer uma versão alternativa dos fatos que preencha o espaço deixado pela mentira desmontada.
Corrigir funciona? O fantasma do efeito contrário
Aqui chegamos à parte do tema que mais mudou nos últimos quinze anos e mais gerou conclusões apressadas. A ideia de que corrigir pode piorar as coisas, de que mostrar fatos a quem acredita numa falsidade reforça a crença, tem origem num artigo de Brendan Nyhan e Jason Reifler, "When Corrections Fail: The Persistence of Political Misperceptions", publicado em Political Behavior, com versão online de 30 de março de 2010. Foram quatro experimentos, realizados no outono de 2005 e na primavera de 2006, em que os participantes liam notícias simuladas contendo uma alegação enganosa de um político e, em alguns grupos, uma correção. Segundo o resumo, as correções frequentemente falharam em reduzir as percepções erradas entre o grupo ideológico visado, e em alguns casos aumentaram essas percepções, o que os autores chamaram de efeito backfire, ou efeito contrário.
O achado foi imenso. Virou capítulo de livro, manchete, palestra, justificativa de política de plataforma. Quem pensava em checagem passou a temer que desmentir fosse tiro no pé. E o que aconteceu depois é a parte instrutiva. Thomas Wood e Ethan Porter publicaram em 2019 na mesma revista, Political Behavior, volume 41, número 1, páginas 135 a 163, o artigo "The Elusive Backfire Effect", relatando cinco experimentos com mais de 10.100 participantes e 52 questões de potencial backfire. Segundo o resumo, em todos os experimentos eles não encontraram nenhuma correção capaz de disparar o efeito, mesmo em questões polarizadas do tipo em que ele deveria se manifestar, e concluíram que a evidência de backfire factual é bem mais frágil do que a pesquisa anterior sugeria. Há uma ressalva, que os resumos secundários também mencionam: as amostras eram em boa parte de plataformas online de recrutamento, e a generalização é uma extrapolação.
A leitura honesta é que as duas evidências são compatíveis. O backfire pode ocorrer em condições específicas, com certos temas e certos formatos, e ser raro. Não se deve concluir que corrigir sempre funciona, nem que corrigir piora. O que se pode dizer é que o backfire não apareceu nos 52 itens de Wood e Porter e que a literatura não sustenta tratá-lo como resultado comum, sem que haja estimativa de sua frequência em situações reais. Outra coisa, medida em outros estudos, é a influência continuada: a falsidade que segue pesando no raciocínio mesmo depois de corrigida, que não é a mesma coisa que o backfire.
O que as meta-análises dizem
Duas meta-análises ajudam a calibrar. A primeira, de Nathan Walter e Riva Tukachinsky, publicada na Communication Research, volume 47, número 2, em março de 2020 (versão online em 2019), reuniu 32 estudos com 6.527 participantes sobre o que a literatura chama de influência continuada da desinformação: a informação falsa que continua afetando o raciocínio mesmo depois de ser corrigida. O resultado médio é que a correção não elimina por completo o efeito da desinformação (r = -0,05, p = 0,045). Os fatores que ajudaram foram a correção ser coerente, combinar com a visão de mundo do público e vir da própria fonte que espalhou a informação falsa. Os que atrapalharam foram a desinformação vir de uma fonte crível, ter sido repetida várias vezes antes da correção e haver um intervalo de tempo antes de corrigir. Note-se que essas conclusões reforçam, do outro lado, o que o experimento de 1977 anunciava: quanto mais a falsidade foi repetida e quanto mais tempo ela ficou sozinha, mais difícil é desfazê-la.
A segunda, de Walter, Brooks, Saucier e Suresh, na Health Communication (publicada online em agosto de 2020, no volume 36, número 13, de 2021), analisou 24 estudos com 6.086 participantes sobre tentativas de corrigir desinformação de saúde em redes sociais. O efeito médio foi positivo e significativo (d = 0,40), com a ressalva expressa dos autores de que não se podia excluir viés de publicação. As intervenções funcionaram melhor quando os participantes eram envolvidos com o tema de saúde, quando a desinformação circulava por organizações de notícia, e não por pares, e quando a correção vinha de especialistas.
Eis uma tabela pequena com os principais estudos deste capítulo, o que cada um mostrou e a fronteira de cada um.
| Estudo | O que mostrou | O que não mostra |
|---|---|---|
| Hasher et al., 1977 | Repetição eleva a nota de validade de frases plausíveis, verdadeiras ou falsas | Nada sobre política, crença duradoura ou redes sociais; 40 estudantes |
| Vosoughi et al., 2018 | Histórias falsas checadas se difundiram mais no Twitter | Crença, voto, outras plataformas |
| Grinberg et al., 2019 | Exposição a fontes falsas muito concentrada | Mensagens privadas; outros países |
| Wood e Porter, 2019 | Sem backfire em 52 questões | Que nenhuma correção possa reagir mal |
| Pereira et al., 2022 | Correção de uma frase sem efeito em seis boatos, em Minas Gerais | Efeito de correções mais elaboradas; outros estados |
Entre o otimismo e o desespero: o que concluir
Reunidas as peças, a conclusão calibrada tem três partes. Primeiro, a repetição de uma afirmação plausível aumenta a sua credibilidade aparente, o efeito é robusto em laboratório e persiste, em parte, diante de avisos e de algum conhecimento prévio, mas a leitura de que isso se traduz em mudança duradoura de opinião política em massa não está demonstrada por esses experimentos. Segundo, a identidade e a motivação influenciam o que as pessoas aceitam, mas outros fatores, como a atenção, a preguiça de refletir, a confiança na fonte e o contexto do grupo, pesam também, e o desenho brasileiro de 2018 mostra que o partidarismo prevê a crença sem explicar a falha da correção. Terceiro, corrigir tende a ajudar um pouco, raramente apaga tudo, e o efeito contrário não apareceu nos testes mais amplos, com a ressalva de que o estudo brasileiro discutido aqui não encontrou efeito nos itens que testou.
Há um quarto ponto, que é menos científico e mais de ofício. Ninguém sabe medir bem quanto a desinformação mudou o resultado de qualquer eleição. Os estudos de laboratório medem crença imediata em afirmações específicas. Os de plataforma medem circulação. Os que tentam ligar exposição a voto enfrentam o problema de que quem consome conteúdo extremo costuma já ter posição formada. A honestidade epistêmica que este livro promete exige dizer isso sempre que um número aparecer, e exige também desconfiar de quem tem interesse em inflar ou em desmentir o problema. Uma campanha que perdeu tem o incentivo de culpar a desinformação. Uma campanha que ganhou tem o incentivo de declará-la irrelevante. Pesquisadores, plataformas, checadores e governos têm os seus incentivos, e esse é o assunto do próximo capítulo.
Verdades desconfortáveis
Para quem acredita que o problema é dos outros: o mecanismo da verdade ilusória não pergunta em quem você votou. Estudantes de 1977 não tinham lado, e pessoas que sabiam a resposta certa também cederam à fluência. Quem acha que está imune provavelmente nunca mediu.
Para quem acha que bastam as agências de checagem: o estudo brasileiro de 2018, com seis boatos de vários tipos em Minas Gerais, não encontrou efeito de uma correção curta, nem entre quem não tinha partido. Isso não significa que a checagem seja inútil, e a literatura internacional é mais otimista. Significa que a checagem como carimbo, sem explicação e sem repetição, é uma ferramenta mais fraca do que quem a pratica gostaria de acreditar. Há aqui uma obrigação para o ofício: medir o próprio efeito, com a mesma disciplina com que se cobra dos outros.
Para quem acha que a checagem é censura disfarçada: a mesma evidência mostra que o efeito sobre o que o público acredita é pequeno nos itens testados. O estudo de Minas Gerais não encontrou efeito de correção nos itens testados, e isso é tudo o que ele diz sobre persuasão. Ele não mede remoção de conteúdo, critérios de seleção do que se checa, transparência, possibilidade de recurso nem concentração de poder em plataformas e checadores, que são o núcleo da objeção de quem teme censura, e que o cap. 13 trata com os argumentos dos dois lados.
Para quem gosta de dizer que "a mentira corre mais que a verdade": Vosoughi e colegas mostraram isso para histórias checadas no Twitter, e a frase ficou famosa, mas ela é uma síntese de um estudo, e não uma lei da comunicação. Se você usar a frase como arma contra o adversário, vale lembrar que ela se aplica à circulação de qualquer lado, e que a maior parte das pessoas, na maior parte do tempo, vê pouco material falso.
E para o autor deste livro e para quem escreve sobre o tema: o sanduíche da verdade que adotamos para não ajudar a mentira a grudar tem um custo. Para escrever sobre uma falsidade é preciso nomeá-la, e nomear é repetir. O melhor que se pode fazer é repetir uma vez, claramente marcada, entre dois enunciados do fato verdadeiro, e aceitar que o risco não chega a zero.
Como se defender
- Pergunte de onde você sabe o que sabe. Se a única resposta é "já vi muito por aí", trate a informação como não verificada, por mais familiar que ela soe.
- Desconfie mais, e não menos, de frases que combinam perfeitamente com o que você já pensava. O raciocínio motivado funciona com a sensação de que aquilo "só confirma o que eu sabia".
- Antes de compartilhar, espere um minuto e procure a fonte original. A pesquisa sobre preguiça de reflexão sugere que a pausa para pensar faz diferença na hora de julgar uma manchete.
- Não compartilhe para desmentir sem necessidade. Reproduzir o boato com a frase "olha que absurdo" ajuda a repetição. Prefira linkar a verificação, ou descrever o fato verdadeiro primeiro.
- Quando for corrigir alguém da família, ofereça uma explicação do que aconteceu de fato, e não apenas um carimbo de "falso". As meta-análises mostram que coerência e explicação ajudam.
- Corrija cedo. Quanto mais tempo e mais repetições a falsidade tiver, mais difícil de desfazer.
- Aplique a mesma régua a boatos de qualquer lado. Se você duvida com rigor das histórias que atacam o seu candidato e aceita sem pensar as que atacam o adversário, o mecanismo já está funcionando em você.
- Para a redação e para a checagem: publique o que você sabe sobre o efeito do seu trabalho, corrija com explicação, repita a correção onde a falsidade circulou e avise sobre campanhas de volume antes do pico.
- Para a plataforma e para o gestor público: avaliar medidas com experimento, e não só com intuição, e divulgar o resultado, inclusive o nulo.
Sinais de alerta
- Uma afirmação que você ouviu muitas vezes, mas nunca sabe dizer onde leu pela primeira vez.
- Uma mensagem que chega por várias contas diferentes com palavras quase idênticas.
- Um boato que "todo mundo está falando", sem fonte identificável.
- Uma estatística redonda, sem data, sem amostra e sem nome de quem mediu.
- Um estudo citado apenas pela manchete, sem dizer a amostra, o país e o ano.
- A conclusão de que "a ciência provou" algo que só foi medido em laboratório com estudantes ou em uma única plataforma.
- A sensação de alívio ou de vitória ao ler algo que confirma o que você já queria que fosse verdade.
- Um volume de mensagens sobre o mesmo tema, vindas de ângulos contraditórios entre si, que parece servir mais para cansar do que para convencer.
Exercícios
- Escolha cinco afirmações que você tem como verdadeiras sobre política ou economia e anote onde ouviu cada uma pela primeira vez. Entrega: uma tabela de cinco linhas com a afirmação, a fonte original que você conseguiu localizar e uma nota de zero a dez sobre o quanto você confiava nela antes de procurar. Compare no fim.
- Reproduza, em escala de brincadeira, o desenho de Hasher e colegas, sem produzir boatos. Peça a um amigo para avaliar numa escala de um a sete o quanto acredita em dez afirmações reais e inofensivas de curiosidade geral, repita três delas em dois outros dias e volte a perguntar. Entrega: um parágrafo sobre o que mudou e por que isso não prova nada sobre população.
- Leia o resumo do artigo de Pereira, Bueno, Nunes e Pavão, citado nas fontes, e o de Wood e Porter. Entrega: meia página dizendo o que cada um afirma, o que cada um não afirma e se, na sua opinião, os dois se contradizem.
- Pegue um boato recente que circulou nos seus grupos e a verificação dele numa agência de checagem. Entrega: uma comparação entre o tamanho do boato (quantas vezes você viu) e o tamanho da correção (quantas vezes você viu), com uma frase sobre o que isso sugere para a correção.
- Aplique o teste de simetria a uma frase que você aprecia ("o pessoal do outro lado acredita em qualquer coisa"). Entrega: a frase reescrita com os lados trocados e um parágrafo sobre se você a aceitaria e com que evidência.
Prompt de estudo
Vou colar o resumo de um estudo científico sobre desinformação, sobre persuasão ou sobre checagem de fatos. Analise: (1) o tamanho e o tipo da amostra, o país e o ano; (2) o que foi medido de fato, se crença declarada, compartilhamento, voto ou outra coisa; (3) o que o estudo não permite concluir; (4) se houve tentativa de replicação e com que resultado, quando você tiver certeza; (5) se há conflito de interesse declarado. Quando não souber algum item, diga que não sabe, em vez de completar. Não escreva conteúdo de propaganda nem boatos; só analise o estudo.
Vou colar uma afirmação que me chegou por um grupo de mensagens. Sem dizer se é verdadeira ou falsa, liste: (1) que perguntas eu deveria fazer para localizar a fonte original; (2) quais elementos do texto dependem de familiaridade e de emoção para parecer verdadeiros; (3) como eu reescreveria a conversa com quem me enviou, começando pelo fato verificado e sem repetir a alegação mais do que uma vez.
Fontes e leituras
- Hasher, L.; Goldstein, D.; Toppino, T. "Frequency and the conference of referential validity". Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 16(1), 1977, p. 107–112. Texto consultado: https://bear.warrington.ufl.edu/brenner/mar7588/Papers/hasher-et-al-jvvb-1977.pdf
- Fazio, L. K.; Brashier, N. M.; Payne, B. K.; Marsh, E. J. "Knowledge does not protect against illusory truth". Journal of Experimental Psychology: General, 144(5), 2015, p. 993–1002. DOI 10.1037/xge0000098 (resumo consultado; texto integral não aberto).
- Pennycook, G.; Cannon, T. D.; Rand, D. G. "Prior exposure increases perceived accuracy of fake news". Journal of Experimental Psychology: General, 147(12), 2018, p. 1865–1880. DOI 10.1037/xge0000465 (resumo e resumos secundários; texto integral não aberto).
- Pennycook, G.; Rand, D. G. "Lazy, not biased: susceptibility to partisan fake news is better explained by lack of reasoning than by motivated reasoning". Cognition, 188, 2019 (descrição de segunda mão; artigo não aberto).
- Vosoughi, S.; Roy, D.; Aral, S. "The spread of true and false news online". Science, 359(6380), 9 mar. 2018, p. 1146–1151. DOI 10.1126/science.aap9559. Registro: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29590045/
- Grinberg, N.; Joseph, K.; Friedland, L.; Swire-Thompson, B.; Lazer, D. "Fake news on Twitter during the 2016 U.S. presidential election". Science, 363(6425), 25 jan. 2019, p. 374–378. DOI 10.1126/science.aau2706. Registro: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30679368/
- Guess, A. M.; Nyhan, B.; Reifler, J. "Exposure to untrustworthy websites in the 2016 US election". Nature Human Behaviour, 2020. Texto integral: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7239673/
- Paul, C.; Matthews, M. "The Russian 'Firehose of Falsehood' Propaganda Model". RAND Corporation, PE-198, jul. 2016. https://doi.org/10.7249/PE198 (página do relatório não abriu para a ferramenta; traços descritos conforme resumos).
- Nyhan, B.; Reifler, J. "When corrections fail: the persistence of political misperceptions". Political Behavior, 32, 2010, p. 303–330 (versão online de 30 mar. 2010). DOI 10.1007/s11109-010-9112-2
- Wood, T.; Porter, E. "The elusive backfire effect: mass attitudes' steadfast factual adherence". Political Behavior, 41(1), 2019, p. 135–163. DOI 10.1007/s11109-018-9443-y
- Walter, N.; Tukachinsky, R. "A meta-analytic examination of the continued influence of misinformation in the face of correction". Communication Research, 47(2), 2020, p. 155–177.
- Walter, N.; Brooks, J. J.; Saucier, C. J.; Suresh, S. "Evaluating the impact of attempts to correct health misinformation on social media: a meta-analysis". Health Communication, 36(13), 2021 (online em ago. 2020). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32762260/
- Pereira, F. B.; Bueno, N. S.; Nunes, F.; Pavão, N. "Fake news, fact checking, and partisanship: the resilience of rumors in the 2018 Brazilian elections". The Journal of Politics, 84(4), out. 2022 (online em 24 ago. 2022). DOI 10.1086/719419. Texto: https://nataliabueno.github.io/files/719419.pdf
- Kunda, Z. "The case for motivated reasoning". Psychological Bulletin, 108(3), 1990 (citado de memória; não reaberto).
- Para o contexto: caps. 1 a 3 deste livro (Bernays, a frase apócrifa de Goebbels, o telegrama do KGB); cap. 9 (operações de influência); cap. 13 (regulação e checagem); cap. 14 (prebunking).