Tema
11. As 48 Leis sob julgamento
Os dois livros proibidos
A penitenciária estadual de Utah, nos Estados Unidos, tem cinco bibliotecas. Em janeiro de 2017, o jornal Salt Lake Tribune publicou uma reportagem sobre o que havia nas prateleiras e, principalmente, sobre o que não havia. Dos títulos que a administração proibia expressamente, só dois constavam da lista: The 48 Laws of Power e The Art of Seduction, os dois de Robert Greene. Circulavam livremente romances de fantasia, clássicos russos e thrillers de tribunal. A bibliotecária, Christie Jensen, disse ao jornal que não sabia ao certo quando a proibição começara, provavelmente quatro ou cinco anos antes, e que a ordem não tinha vindo da biblioteca, e sim da instituição. A razão registrada era de segurança. Os responsáveis temiam que os livros ensinassem presos, nas palavras que ela reproduziu, a controlar pessoas e a fazer com que elas façam exatamente o que você quer. A porta-voz da prisão contou que os detalhes da decisão tinham se perdido na troca de direção, e que os dois livros já circulavam havia mais de dez anos antes de serem vetados. A seccional local da ACLU, a entidade de defesa das liberdades civis, chamou a lista de arbitrária e perguntou o que tornava esses dois títulos mais perigosos do que as muitas outras fontes onde alguém pode aprender a manipular os outros.
Pare nessa cena por um momento, porque ela contém o problema inteiro deste capítulo. O livro foi tirado de circulação num lugar onde o poder aparece sem verniz, onde quem manda e quem obedece está dito no uniforme. E ele é lido com devoção em lugares onde o poder usa verniz o tempo todo: escritórios, estúdios, vestiários, salas de conselho. Em 2010, uma reportagem da CNN, republicada na imprensa africana, registrou o livro entre jogadores da NBA, em aulas de administração e na mesa de executivos. A instituição que administra a coerção leu o livro como um manual de manipulação e tratou de afastá-lo de quem não podia se dar ao luxo de errar na leitura. Os executivos o leem como a descrição franca de como o mundo funciona. As duas leituras podem estar parcialmente certas ao mesmo tempo, e esse é o ponto de partida.
Existe ainda uma terceira informação na reportagem de Utah, e ela é a mais interessante. Em 2012, o próprio Greene disse ao jornal britânico The Telegraph que qualquer pessoa que seguisse o livro à risca seria, nas palavras dele, uma pessoa horrível e feia de se ter por perto. O autor do manual avisa que o manual não deve ser seguido. Quem é, então, o leitor que ele tem em mente? E qual parte do livro vale a pena levar do lado de fora da cadeia, para a sua reunião de segunda-feira?
Este é o capítulo do livro em que o objeto de estudo é outro livro. Os capítulos anteriores mostraram como o poder se forma, circula e se disputa dentro de organizações, com base em pesquisa e em casos documentados. Agora vamos olhar a obra mais famosa do gênero com a mesma régua: de onde vêm os exemplos, o que a pesquisa permite afirmar, quais leis resistem a um exame honesto e quais destroem carreiras quando aplicadas. O objetivo não é desmoralizar o livro nem defendê-lo. É aprender a lê-lo.
O que você vai levar deste capítulo
As 48 Leis do Poder é um repertório de observações sobre poder, não um conjunto de leis. Não há teste empírico das leis como pacote, e vários dos conselhos se contradizem, como o livro, aliás, reconhece na prática.
Os exemplos do livro são anedotas históricas escolhidas pelo drama. Isso empobrece a generalização, mas não anula a observação local: certas coisas realmente custam caro, como humilhar quem manda ou se isolar.
Onde a pesquisa alcança, ela pune as leis que apostam em desconfiança, apropriação de crédito e aniquilação do rival, quando as pessoas voltam a se encontrar. Em relações repetidas, quem facilita a cooperação tende a se sair melhor do que quem tenta ser mais esperto.
Greene é útil como cartógrafo do cinismo: ele desenha o terreno em que os cínicos se movem. Você pode usar o mapa para se proteger e para entender o que acontece com você, sem adotar o código de conduta do mapa.
Um livro, uma editora e uma fórmula
The 48 Laws of Power saiu em 1998, pela editora Viking, em Nova York. A origem, contada no perfil que o Los Angeles Times publicou em agosto de 2011, é pouco romântica. Greene tinha sido roteirista e passado por dezenas de empregos. Trabalhando como redator numa escola de arte e mídia perto de Veneza, conheceu Joost Elffers, um "book packager", espécie de produtor que concebe projetos de livro, reúne autor e editora e cuida do desenho do volume. Elffers perguntou se ele tinha alguma ideia de livro, Greene propôs ali mesmo um sobre poder, e dois anos depois os dois venderam o projeto à Penguin. O formato, por sinal, é parte do produto: 48 capítulos de poucas páginas, cada um, em geral e segundo os resumos do livro que consultei, com um enunciado, uma explicação do que a lei significa, exemplos históricos e seções de apoio, como a observância e a transgressão da lei, chaves do poder e "inversões" (os casos em que a lei não vale). As margens trazem citações de autores diversos. O desenho facilita a leitura salteada e dá ao livro um ar de enciclopédia do poder.
A recepção da crítica foi dura desde o início. A resenha da Kirkus Reviews, da época do lançamento, faz três objeções que valem até hoje. A primeira é que as regras muitas vezes se contradizem: o livro manda chamar atenção a qualquer custo, em termos que a resenha cita, e manda também comportar-se como os outros. A segunda é que Greene nunca define o que é poder. A terceira é que ele afirma, em vez de demonstrar, o mundo hobbesiano de todos contra todos em que insiste que vivemos. O resenhista acrescenta uma frase que resume o problema: o mundo pode ser assim às vezes, mas muitas vezes não é.
Isso não impediu o livro de vender. Segundo o mesmo perfil do Los Angeles Times, de 2011, o livro tinha vendido 1,2 milhão de exemplares nos Estados Unidos e sido traduzido para duas dúzias de idiomas. É um número antigo e não deve ser lido como o total de hoje. No Brasil, a Rocco publica o livro com o título As 48 leis do poder, e a edição brasileira registrada em catálogo é de 2000 (Rio de Janeiro, 458 páginas, tradução de Talita M. Rodrigues). Um sinal mais recente de que o livro continua vivo: a retrospectiva de 2024 do Spotify colocou o título em sexto lugar entre os audiolivros mais ouvidos entre assinantes premium no mundo, e em quinto nos Estados Unidos. É uma medida de consumo naquela plataforma, não de vendas totais, mas diz algo sobre a idade de uma obra de 1998 que ainda disputa a atenção do ouvinte.
Quem lê o livro, e por que lê? Reportagens de referência mostram executivos e jogadores de basquete. A CNN, em 2010, ouviu um centro dos Lakers, Andrew Bynum, que disse ter achado o livro implacável, mas gostou da lei contra o isolamento. Ouviu também o então presidente da American Apparel, Dov Charney, que descreveu as leis como leis da natureza, no sentido de que toda interação humana envolve uma troca de poder. O perfil do Los Angeles Times de 2011 registra que o livro virou sensação entre rappers como 50 Cent, Kanye West, Jay-Z e Busta Rhymes, que o tomaram como guia para a indústria musical. Mais recentemente, ele circula em vídeos de motivação masculina, o que se convencionou chamar, em inglês, de cultura grindset. Aqui um aviso de honestidade: para essa segunda onda não encontrei reportagem de referência que a date ou meça. O que existe são vídeos e produtos culturais. Trate-a como observação de época, não como dado.
Há uma forma de resumir o que torna o livro tão atraente, e ela não depende de nenhum conteúdo específico. O livro promete ao leitor que o mundo tem regras, que as regras estão escondidas e que ele pode aprendê-las em 48 doses. Para quem se sente perdido numa organização, ou passado para trás por alguém, a promessa vale muito. É o mesmo tipo de apelo que a leitura do cap. 1 deste livro tentou desfazer: a ideia de que desempenho puro basta cria um vácuo, e livros que preenchem o vácuo com um código vendem bem.
O caso: Fouquet e a festa que ficou cara
Para entender o método de Greene, vale olhar de perto um dos seus exemplos, e o melhor candidato é o que abre o livro. A primeira lei se chama, na edição brasileira, "Não ofusque o brilho do mestre", e a história que a ilustra é a de Nicolas Fouquet, superintendente das finanças da França no começo do reinado de Luís XIV. Escolho este exemplo porque a história de Fouquet é real, está bem documentada e dá para conferir o que dela se sabe.
Em 17 de agosto de 1661, Fouquet recebeu o jovem rei em Vaux-le-Vicomte, o castelo que mandara construir. A festa, segundo as fontes que consultei, reuniu a corte inteira, cerca de seiscentos cortesãos segundo fontes históricas francesas, e uma peça nova de Molière. Em 5 de setembro de 1661, menos de três semanas depois, o rei ordenou que d'Artagnan, oficial dos mosqueteiros, prendesse Fouquet, o que aconteceu em Nantes. O processo se arrastou por anos e, em dezembro de 1664, o tribunal o condenou ao banimento; o rei, por autoridade própria, trocou a pena por prisão perpétua. Fouquet morreu preso, na fortaleza de Pignerol, em 1680.
A lição de Greene é que Fouquet foi derrubado por ter feito sombra ao mestre, isto é, ao rei. O leitor fecha o capítulo com uma regra clara: nunca brilhe mais do que o seu chefe. Só que a história comporta uma leitura menos arrumada. As fontes que consultei mencionam que o ministro Colbert, rival de Fouquet, vinha trabalhando para derrubá-lo, e que o rei já teria decidido agir antes da festa, que seria, no máximo, a gota d'água. Um relato popular acrescenta que o rei teria saído humilhado do evento. Essa parte vem de um site de divulgação histórica e deve ser lida como interpretação, não como fato documentado. O que a história sustenta, com segurança, é um conjunto de fatos encadeados: Fouquet exibia riqueza, tinha um rival poderoso, perdeu a confiança do soberano e acabou preso. Qual desses elos foi a causa, a anedota não responde.
É isso que a crítica chama de viés de seleção. Um autor que procura exemplos para uma lei encontra os que a confirmam e os conta com a ênfase necessária. Para cada cortesão que afundou depois de brilhar demais, existe um que brilhou, foi recompensado e não virou capítulo de livro, porque a história não tem lição. E para cada Fouquet existe um Colbert, que subiu justamente por ser visível e competente a serviço do rei. O princípio de Greene não está errado; ele contém uma observação razoável sobre egos e inseguranças de quem manda, que o cap. 7 deste livro tratou com pesquisa e cuidado. O que a anedota não prova é que a observação tenha força de lei.
O mecanismo: de onde vem a autoridade de uma lei
Uma lei, no sentido científico, precisa de três coisas: um enunciado que possa falhar, condições em que se aplica e algum tipo de teste. As 48 leis do livro oferecem o primeiro de forma teatral, o segundo quase nunca e o terceiro nunca. Os enunciados são curtos e categóricos, com palavras como "nunca" e "sempre". As condições de aplicação (que tipo de organização, que posição na hierarquia, qual o horizonte de tempo, qual a cultura) quase não aparecem. E o teste, quando o livro o faz, consiste numa história de sucesso e outra de fracasso, em que a segunda ilustra o que acontece a quem violou a regra.
O resultado é um texto que funciona como um repertório, e que se comporta mal como código. Dois exemplos do próprio livro, tirados da lista de títulos, mostram o problema. A lei 6, "court attention at all cost", aconselha a chamar atenção a qualquer preço. A lei 38, "think as you like but behave like others", manda pensar como quiser e se comportar como os outros. As duas podem ser lidas como complementares por um leitor generoso: seja visível nas coisas que importam e convencional no resto. Mas o livro não diz como separar uma situação da outra, e é justamente essa separação que decide o resultado. A Kirkus tinha razão ao apontar a contradição, e o autor provavelmente concordaria que as leis precisam de julgamento. Só que julgamento é o que o leitor já precisava ter antes de abrir o livro.
Outro defeito do método está na definição do objeto. Greene nunca diz o que entende por poder. A literatura acadêmica dispõe de definições úteis. O cap. 2 apresentou as bases de poder de French e Raven e a dependência de recursos de Pfeffer e Salancik. Com essas ferramentas, dá para dizer o que uma lei pressupõe: que o poder vem do controle sobre algo de que o outro precisa, que se mantém enquanto a dependência durar e que se perde quando alternativas aparecem. A lei 11, "learn to keep people dependent on you", é uma aplicação crua dessa ideia. A diferença é que a pesquisa também registra o preço. Quem depende de você procura alternativas, e quem percebe que está sendo mantido dependente retira a cooperação voluntária que torna uma organização produtiva.
Um terceiro defeito, mais sutil, é o de lugar. O mundo dos exemplos de Greene é o das cortes, dos generais, dos golpistas e dos grandes aventureiros da história europeia e asiática. São ambientes em que a concorrência é de soma zero (uma província ou um trono), em que os atores mal se encontram de novo depois do conflito, ou se encontram só para a derrota de um deles, e em que não existe departamento de recursos humanos nem Justiça do Trabalho. Uma empresa brasileira de duzentos funcionários não é uma corte. Seus integrantes se encontrarão de novo amanhã, e na semana seguinte, e durante anos, e as informações circulam. Esse detalhe, a repetição, é o que a próxima seção examina.
O que a pesquisa sobre cooperação diz às leis
O cientista político americano Robert Axelrod fez, no começo dos anos 1980, um experimento que se tornou clássico. Ele convidou especialistas de várias áreas a enviar programas de computador que jogariam o dilema do prisioneiro repetido. No dilema do prisioneiro, cada jogador escolhe entre cooperar e trair; a traição unilateral rende mais, a cooperação mútua rende razoavelmente bem aos dois, e a traição mútua rende pouco a ambos. Numa única rodada, trair é a melhor escolha. Em muitas rodadas contra o mesmo adversário, a situação muda. Axelrod organizou dois torneios, em que cada programa enfrentava todos os outros. No primeiro, havia catorze inscritos mais uma estratégia aleatória. No segundo, sessenta e dois programas, mais a estratégia aleatória. O vencedor dos dois torneios foi o mesmo programa, o mais simples de todos, enviado pelo psicólogo Anatol Rapoport e conhecido como Tit for Tat, algo como "olho por olho, na medida". Sua regra: cooperar na primeira jogada e, depois, repetir o que o adversário fez na jogada anterior.
Axelrod extraiu do resultado quatro características das estratégias bem-sucedidas, e vale conhecê-las porque elas se aplicam às organizações com facilidade. A primeira é ser gentil, isto é, nunca ser o primeiro a trair. A segunda é ser provocável: reagir à traição, para não ser explorado. A terceira é ser generoso, voltando a cooperar quando o outro volta. A quarta é ser claro, de modo que o outro entenda a sua lógica e possa confiar nela. O resultado dependia do que Axelrod chamou de "sombra do futuro": quanto maior a chance de os mesmos jogadores se reencontrarem, mais compensa cooperar. Em jogos sem repetição, trair ganha.
Os limites desse resultado precisam ser ditos. É um modelo formal, não um estudo de campo, e os programas jogavam com informação perfeita sobre o que o outro tinha feito. Uma reanálise publicada em 2015 na revista PLOS ONE, que li apenas em resumo, argumenta que a eficácia do Tit for Tat depende do desenho do torneio, do critério de sucesso e dos valores da matriz de pagamentos, ou seja, que a vitória não é universal. Estudos posteriores propuseram variantes mais tolerantes a erro, mais adequadas a ambientes em que as pessoas se enganam sobre as intenções alheias. Nada disso desfaz a lição principal, mas a qualifica: o modelo não prova que ser bonzinho vence. Prova que, em jogos repetidos, ser esperto demais perde para ser previsível e provocável.
Agora volte às leis. A lei 2 diz, em resumo, que você não deve confiar demais em amigos e deve aprender a usar inimigos. A lei 15 manda aniquilar totalmente o inimigo. A lei 20 manda não se comprometer com ninguém. A lei 14 manda fingir-se de amigo e agir como espião. A lei 7 manda fazer os outros trabalharem e ficar com o crédito. Todas apostam em desconfiança, apropriação ou aniquilação. Num jogo de rodada única, qualquer uma delas pode render. Num ambiente em que as mesmas pessoas voltam a se encontrar, e em que a reputação viaja, a lógica do torneio sugere o contrário: quem trai primeiro e é descoberto passa a ser tratado como alguém que trai, e a cooperação que o ajudaria desaparece.
Existe evidência de campo na mesma direção, embora mais indireta. Uma metanálise publicada em 2016 no Journal of Applied Psychology por Bart de Jong, Kurt Dirks e Nicole Gillespie reuniu 112 estudos independentes, com 7.763 equipes, e encontrou que a confiança dentro da equipe se associa positivamente ao desempenho, com correlação de 0,30, um efeito que os autores descrevem como acima da média na literatura. A relação se manteve depois de controlar a confiança no líder e o desempenho anterior da equipe, e variou conforme a interdependência das tarefas, a diferenciação de autoridade e a diferenciação de habilidades. É evidência correlacional agregada: ela não prova que confiar faça uma equipe render, e não diz nada sobre o que cada pessoa deve fazer na sua. Mas desmonta a lei 2 como regra universal. Uma equipe em que ninguém confia em ninguém não é o terreno em que a maioria das pessoas obtém bons resultados.
Uma linha de pesquisa diferente merece menção, com cautela. Em 2012, Ernest O'Boyle e colegas publicaram no Journal of Applied Psychology uma metanálise sobre a chamada tríade sombria (maquiavelismo, narcisismo e psicopatia subclínica) e o comportamento no trabalho, com 245 amostras e 43.907 pessoas. Segundo o resumo, desempenho pior se associou de modo consistente a mais maquiavelismo e mais psicopatia, e o comportamento contraproducente cresceu com os três traços, com as associações moderadas por fatores como autoridade e cultura. Só consegui conferir o resumo, sem os tamanhos de efeito, e por isso não repito números. A conclusão que o resumo autoriza é desfavorável às leis que apostam em manipulação: esses traços não aparecem como receita de bom desempenho, e o efeito sobre o clima de trabalho é negativo.
Resta dizer o que a pesquisa não cobre, e o capítulo precisa ser claro nesse ponto. Não existe estudo que teste as 48 leis como pacote. O que existe são testes de mecanismos isolados: reciprocidade, reputação, confiança, dependência de recursos. A defesa de Greene, quando ele se defende, é que descreve o mundo real das organizações e não um laboratório. É uma defesa legítima. Só que descrever o mundo real exige mostrar os casos em que as leis falharam, e o livro, como qualquer coletânea de anedotas, só mostra os que ilustram.
| Lei (título em inglês, tradução de trabalho) | O que o título promete | O que a pesquisa e a lógica permitem dizer |
|---|---|---|
| 2. Never put too much trust in friends | Desconfiar de amigos, usar inimigos | Confiança na equipe se associa a desempenho (De Jong et al., 2016); vale como cautela em contexto específico, não como regra |
| 5. So much depends on reputation | Reputação como ativo | Coerente com jogos repetidos; reputação viaja nas redes (caps. 4 e 6) |
| 7. Get others to do the work for you, but take the credit | Apropriar-se do trabalho alheio | Funciona às vezes a curto prazo; em relações repetidas, a descoberta custa a confiança e a rede |
| 15. Crush your enemy totally | Aniquilar o rival | Rivalidade eleva comportamento antiético (cap. 9); o rival aniquilado pode estar em outra sala amanhã |
| 18. Do not build fortresses | Não se isolar | Coerente com a literatura de redes e de informação (caps. 3 e 4) |
Leis que resistem a um exame honesto
Seria injusto sair do exame dizendo que o livro é inútil. Várias das leis registram observações que a pesquisa ou o senso comum organizacional sustentam, desde que lidas como cautelas e não como comandos.
A lei 18 manda não construir fortalezas para se proteger, porque o isolamento é perigoso. O que o cap. 3 mostrou sobre informação e o cap. 4 sobre redes vai na mesma direção: quem se fecha perde acesso ao que circula, e o acesso é fonte de poder. Bynum, o jogador entrevistado pela CNN, gostou justamente dessa lei, e parte da razão é que ela é difícil de contestar.
A lei 5, que põe a reputação no centro, e a lei 19, que manda saber com quem se está lidando e não ofender a pessoa errada, descrevem coisas que o cap. 7 tratou na relação com chefes: que a avaliação de quem manda pesa, que o ego de quem está acima tem consequências e que descobrir antes quem é quem custa menos do que descobrir depois. A lei 35, sobre a arte do momento certo, é a face do que o cap. 8 mostrou sobre agenda e pré-alinhamento: a mesma proposta tem destinos diferentes em semanas diferentes.
A lei 1, que dá nome ao caso de Fouquet, é a mais interessante, porque conta uma verdade com duas leituras. Lida como "não humilhe seu chefe em público" ou "não tome o crédito que é dele", é conselho sensato, e o cap. 7 oferece evidência mais sólida do que a anedota. Lida como "esconda sua competência para não ameaçar quem manda", torna-se uma receita de estagnação, e aqui a pesquisa sobre visibilidade (cap. 6) contraria o livro: quem faz e não aparece, como Helena no cap. 1, paga o preço.
E há uma família de leis sobre percepção: parecer que o esforço foi fácil (30), nunca parecer perfeito demais (46), controlar as opções do outro (31). Elas apontam para o fato, bem documentado, de que a impressão que você causa é parte do seu desempenho percebido. O cap. 6 tratou a gestão de impressão com a pesquisa que existe, e o ponto principal é o mesmo: a impressão importa, mas a manipulação deliberada tem um custo que o livro raramente cobra, que é o de ser descoberta.
O critério que uso aqui para dizer que uma lei "resiste" é modesto. Ela precisa corresponder a algum mecanismo que apareceu em pesquisa ou em caso documentado, e precisa sobreviver à pergunta sobre o que acontece quando as mesmas pessoas se reencontram. Passam, com ressalvas, as leis que descrevem o ambiente (quem decide, o que circula, o que as pessoas pensam de você). Passam pior as que prescrevem engano.
Leis que destroem carreira
O outro lado da lista é o das leis que, aplicadas em empresas reais com gente que se reencontra, tendem a cobrar mais do que rendem. Descrevo o mecanismo, em nível de princípio, para que você reconheça o padrão em si e nos outros. Não vou ensinar a aplicá-lo.
Apropriar-se do trabalho alheio (lei 7). O cap. 6 mostrou como o crédito em trabalho coletivo é frágil e difícil de recuperar depois de apropriado. O que o livro chama de lei é uma tática com um custo bem previsível: quem faz o trabalho sabe, e fala. O capital que se acumula assim é emprestado, porque depende de os prejudicados ficarem calados. A empresa pequena que vê a mesma pessoa receber o crédito três vezes em seguida acaba sabendo.
Aniquilar o inimigo (lei 15). O cap. 9 apresentou a pesquisa sobre rivalidade, que mostra que a competição direta eleva o que está em jogo e pode induzir comportamento antiético. O conselho de aniquilar o rival parte da premissa de que o conflito termina, e não termina. O rival derrotado é o chefe de uma área parceira daqui a três anos, o conselheiro de um cliente, o avaliador em um comitê. E há um risco do outro lado: o ambiente que premia aniquilar rivais é o que produz as dinâmicas descritas no cap. 9 sobre ocultação de conhecimento e minagem. Quem escolhe esse caminho escolhe também o clima em que viverá.
Fingir amizade para obter informação (lei 14). O título traduz-se como "banque o amigo, aja como espião". O cap. 3 tratou a informação como moeda e o sigilo como limite. Obter informação por engano é diferente de obtê-la por relacionamento, e a diferença aparece quando a fonte percebe. A confiança é o que faz as pessoas contarem coisas, e uma reputação de quem usa a confiança alheia como instrumento sela as portas. Além disso, dependendo do que se faz com a informação obtida, a conduta deixa de ser jogo político e vira violação de sigilo, de dever de lealdade ou de lei de proteção de dados, e o cap. 3 já explicou esse limite.
Não se comprometer com ninguém (lei 20). A recomendação é manter-se livre de alianças para poder jogar com todos os lados. O cap. 4 mostrou que coalizões e reciprocidade são o que dá sustentação a quem quer fazer algo difícil numa organização. Quem não se compromete com ninguém fica sem aliados quando precisa deles. Existe uma versão sensata da ideia, a de não se amarrar a uma facção que pode perder. Mas essa versão pede discrição, não ausência de laços.
Manter as pessoas dependentes (lei 11). Aqui o livro acerta na observação e erra na recomendação. Dependência cria poder, como mostrou o cap. 2. Mas o cap. 5 discutiu o risco de quem se torna indispensável demais: o chefe pode preferir mantê-lo onde está, hipótese lógica, embora sem prova geral. Fazer da dependência alheia uma estratégia deliberada produz um subordinado que busca alternativas, um colega que nunca coopera de livre vontade e um chefe que desconfia de quem concentra tudo.
O que essas leis têm em comum é o horizonte. Funcionam, quando funcionam, num prazo curto e numa relação em que o outro não pode reagir. Em organizações, quase tudo o que importa é de prazo longo e envolve gente que reage. Por isso o mesmo livro que fascina o iniciante costuma parecer tosco ao veterano. O iniciante lê um mapa do território hostil que sentia. O veterano percebe que o território é um pouco mais cooperativo e que quem o trata como campo de batalha sai mais cedo do que imaginava.
Cenário ilustrativo: Anselmo e a lei 7
Cenário ilustrativo. Na Distribuidora Planalto Sul, empresa fictícia que aparece em outros capítulos, Anselmo, analista, leu o livro de Greene numa viagem e voltou entusiasmado. Na semana seguinte, o time de Helena montou uma análise de ruptura de estoque que reduziu perdas. Anselmo, que tinha ajudado com uma planilha, apresentou o resultado à diretoria falando em "nossa análise" e deixando que o sujeito oculto fosse ele. Na primeira vez, funcionou: a diretoria o elogiou. Helena percebeu e não disse nada. Na segunda vez, Anselmo repetiu com outro trabalho, e Rogério, colega que tinha feito a parte mais pesada, mandou um e-mail à diretoria com cópia para todos, descrevendo o que tinha feito. Sem acusar ninguém, o e-mail estabeleceu a autoria. Na terceira vez, a diretora perguntou a Helena, em particular, quem tinha feito o quê. Anselmo conseguira, em três tentativas, três coisas: um elogio, um colega que passou a registrar tudo por escrito e uma diretora que passou a perguntar. O capital que ele acumulou era real e durou duas semanas.
A cena não prova nada sobre todas as empresas. Em uma organização desatenta, com chefes que não perguntam, a tática pode durar anos. O que ela ilustra é a assimetria: o ganho é rápido e visível, o custo é lento e distribuído, e é por isso que a pessoa que a pratica tende a superestimar o saldo.
Por que quem está embaixo lê Greene
Há um uso do livro que os críticos costumam ignorar, e ele explica boa parte da sua popularidade. Muita gente lê o livro para se defender. Quem foi passado para trás numa promoção, teve o trabalho creditado a outro ou foi isolado numa reunião quer entender o que aconteceu, e o livro oferece um vocabulário. A lei 7 dá nome ao que aconteceu com o relatório. A lei 33, que fala em descobrir o ponto fraco de cada pessoa, ajuda a entender a manipulação sofrida. A lei 12, sobre usar honestidade e generosidade seletivas para desarmar a vítima, descreve o chefe que oferece um favor antes de pedir um sacrifício.
Nesse uso, Greene funciona como o manual de táticas de um adversário, lido por quem quer reconhecer as jogadas. É uma leitura legítima, e a mais útil que o livro permite. O problema aparece quando a leitura defensiva se transforma em prática. Quem passou a vida sendo ignorado pode descobrir, no livro, a permissão para fazer aos outros o que fizeram a ele, e é aí que o cinismo se instala. O próprio Greene, quando diz que quem seguisse o livro à risca seria uma pessoa horrível, parece reconhecer que o conjunto, aplicado inteiro, descreve um personagem e não um profissional.
Há também um viés de época. Reportagens e perfis associam o livro à cultura de autoajuda masculina da internet. Não consegui encontrar uma matéria de referência que quantifique ou date esse fenômeno, de modo que o que posso dizer é que o livro circula em ambientes que valorizam dureza, status e frieza, e que a mensagem de "o mundo é um jogo de dominação" cai bem em quem se sente fraco e quer sentir controle. É uma leitura psicológica plausível, mas não está estudada, e a apresento como hipótese.
O que Pfeffer diz de Greene
O plano editorial deste livro previa que o capítulo contrapusesse Greene a Jeffrey Pfeffer, que defenderia parte do realismo do primeiro. A pesquisa que fiz não sustenta essa formulação. Na reportagem da CNN de 2010, Pfeffer, professor de Stanford e a base empírica de vários capítulos deste livro, critica o método: segundo a reportagem, ele diz que, se você der às pessoas uma lista de 48 itens, elas certamente não vão se lembrar deles na hora em que precisarem, e aponta que as leis se apoiam em exemplos históricos isolados, não em pesquisa sólida. O ponto de contato entre os dois é mais estreito do que o plano supunha: ambos tratam o poder como realidade das organizações e rejeitam a ideia de que o bom trabalho se reconhece sozinho. Pfeffer não endossa a lista, o tom nem o método.
Essa distinção é importante para o leitor. A tese deste livro é que a política existe e que ignorá-la tem custo. Essa tese é compatível com Greene em um nível geral e incompatível com ele no particular. Dizer que há poder e que há jogo não equivale a dizer que o jogo é de soma zero, que a desconfiança é a postura racional e que o engano compensa.
O que aproveitar e como ler
Se as leis não são leis, o que fazer com o livro? Proponho um uso em três tempos, que respeita o que ele tem de melhor e protege você do que ele tem de pior.
Primeiro, leia as leis como perguntas sobre o seu ambiente. Cada lei contém uma hipótese sobre como as pessoas se comportam sob certas condições. Em vez de aceitá-la ou rejeitá-la, transforme-a em pergunta. A lei 1 vira: o meu chefe se sente ameaçado quando alguém o supera em público? A lei 18 vira: onde eu estou isolado de informação? A lei 11 vira: de quem eu dependo e quem depende de mim? A lei 19 vira: quem eu ainda não entendi? As respostas vêm da observação da sua organização, e não do livro.
Segundo, teste cada lei contra o reencontro. Antes de aplicar qualquer tática, pergunte-se o que acontece se a outra pessoa descobrir, e se você a verá de novo. Esse teste, que é o de Axelrod em linguagem comum, elimina a maior parte das leis que apostam em engano. As que sobrevivem são as que continuariam fazendo sentido se tudo fosse descoberto: ler o ambiente, escolher o momento, proteger a reputação, construir alianças.
Terceiro, separe o que é descrição do que é prescrição. O valor de Greene está na descrição, naquilo que ele nota sobre como as pessoas reagem a ameaça, vaidade, escassez e medo. A prescrição, o que fazer com isso, é onde o livro tropeça, porque presume que o leitor é o único jogador esperto numa sala de ingênuos. Na prática, a sala está cheia de gente que também leu alguma coisa, ou que aprendeu sem ler.
Há uma síntese que cabe ao leitor do livro e que me parece honesta. Greene é um bom cartógrafo do cinismo: mapeia os caminhos que os cínicos percorrem e os atalhos que tomam. O erro é tomar o mapa pelo território, e o território das empresas, com todas as suas misérias, tem mais trechos cooperativos do que o mapa indica. Quem usa o mapa para evitar emboscadas faz bom uso dele. Quem decide caminhar só pelas trilhas dos cínicos passa a morar nelas.
Na prática: o exercício das três colunas
Escolha cinco leis da lista de 48 que chamaram sua atenção, de preferência duas que você acha verdadeiras, duas que acha falsas e uma que o incomoda. Para cada uma, escreva três colunas. Na primeira, a hipótese que a lei contém, em uma frase. Na segunda, um exemplo da sua vida profissional em que ela se confirmou ou não. Na terceira, o que aconteceu depois, com as mesmas pessoas, seis meses mais tarde. A terceira coluna é a que Greene não escreve. Muitas leis só parecem funcionar quando o relato termina cedo demais.
Verdades desconfortáveis
O livro vende porque diz algo verdadeiro que as empresas não costumam dizer: que o poder existe, que é disputado e que gente competente perde para gente que sabe jogar. Quem despreza o livro por cinismo está, muitas vezes, protegendo uma ideia confortável de que o mérito se resolve sozinho, ideia que o cap. 1 mostrou ser falsa. É possível rejeitar as prescrições e aceitar o diagnóstico.
A mesma pessoa que lê o livro para se defender pode, sem notar, passar a usá-lo para atacar. A fronteira entre reconhecer uma tática e adotá-la é fina, e a pressão do ambiente costuma empurrar na segunda direção. Quem trabalha numa organização em que as táticas de Greene são comuns sente que não tem escolha. Quase sempre tem, e o custo da escolha é maior do que parece: ficar de fora de certos jogos significa perder certas coisas, e é preciso saber o que se está perdendo.
Nenhuma pesquisa que mencionei neste capítulo prova que ser decente vence sempre. Axelrod mostra que a cooperação prospera quando há repetição, e a repetição não está garantida. Em empresas com alta rotatividade, em setores em que as pessoas trocam de emprego a cada dois anos, a sombra do futuro é curta e a tentação de explorar aumenta. A conclusão honesta não é que a decência compensa, e sim que compensa mais quanto mais longo é o horizonte e quanto mais visível é o comportamento, e que cabe a você avaliar o seu ambiente.
Também é desconfortável admitir que o contrário do cinismo não é a ingenuidade. A pessoa que confia em todos, não registra nada e acredita que o mérito aparece sozinho paga caro em ambientes em que as táticas de Greene são praticadas. A defesa existe e consiste em ler o ambiente, manter registros, construir aliados e saber quando dizer não. Ser decente sem ser desatento é a posição que este livro defende.
Por fim, uma verdade sobre as próprias leis: muitas delas descrevem comportamentos que você já pratica, em pequena escala, sem o rótulo. Escolher o momento de pedir um aumento, cuidar da sua reputação, não discutir com o chefe na frente de todos. Quem se escandaliza com o livro costuma esquecer disso. A diferença entre influência e manipulação está menos na técnica do que na transparência: aquilo que você faria igual se a outra pessoa soubesse.
Jogo sujo e defesa
As táticas abaixo aparecem entre as 48 leis ou derivam delas. Descrevo-as em nível de princípio, para reconhecimento e defesa, e não como instrução.
A generosidade calculada (lei 12). Alguém faz um favor, elogia ou revela uma informação sem pedir nada, e, depois de estabelecida a boa vontade, pede algo grande. O princípio é a reciprocidade, que Cialdini estudou: as pessoas sentem obrigação de retribuir. A defesa não é recusar gentileza, o que seria miséria social. É perceber o padrão quando o favor vem sempre logo antes de um pedido, e separar as duas coisas: agradecer o favor e decidir o pedido pelos seus méritos, com tempo e, se possível, uma conversa à parte.
A dependência fabricada (lei 11). Um colega ou chefe concentra uma informação, uma chave ou um relacionamento para que ninguém consiga passar sem ele. A defesa é distribuir o conhecimento, documentar processos, criar redundâncias e, se você é o dependente, procurar uma segunda fonte. Um sinal de alerta é o colega que se irrita quando alguém aprende o que ele faz.
O falso amigo (lei 14). Uma pessoa cultiva proximidade para obter informação, e o que você conta num almoço aparece na reunião seguinte, em outro contexto. A defesa é calibrar o que se compartilha com quem, e notar o desbalanceamento: quem pergunta muito e conta pouco merece cautela. Isso não obriga a calar-se com todo mundo. Obriga a não contar a ninguém aquilo que, vazado, lhe custaria o emprego.
O terror da imprevisibilidade (lei 17). Um chefe que alterna calor e frieza, elogia e humilha sem padrão, mantém a equipe em alerta. Isso funciona como forma de controle, e a pesquisa sobre supervisão abusiva que o cap. 7 apresentou mostra seus custos para quem vive sob ele. A defesa é buscar previsibilidade onde ela existe, com combinados por escrito, entregas documentadas e relação com outras pessoas de peso na hierarquia, e reconhecer quando o padrão ultrapassa a política e entra no território do assédio, tratado no cap. 12.
O efeito espelho (lei 44). Alguém imita sua linguagem, seu tom e seus gestos para desarmar a resistência. Em doses pequenas é só empatia, e até um recurso reconhecido de comunicação. A defesa de quem se sente manipulado é desacelerar: deixar a decisão para o dia seguinte, pedir o pedido por escrito e checar se a concordância aparente corresponde a algum compromisso concreto.
A culpa transferida (lei 26, "keep your hands clean"). Um terceiro executa a tarefa desagradável, enquanto quem a mandou mantém as mãos limpas. A defesa é pedir instruções por escrito, nomear quem decidiu e, ao executar, deixar claro o que foi pedido e por quem. Se a tarefa for ilegal ou antiética, a regra é recusar, e o cap. 12 trata desse limite.
A isca (lei 8). Fazer com que as pessoas venham até você, usando uma oferta como atrativo. Em muitos contextos é só marketing pessoal. Vira jogo sujo quando a oferta é falsa. A defesa é conferir a oferta com uma segunda fonte antes de agir.
Plano de ação
Nos próximos trinta dias:
- Semana 1: leia, ou releia, cinco leis do livro de Greene (os títulos já bastam) e, para cada uma, escreva uma frase com a pergunta sobre o seu ambiente que ela sugere.
- Semana 1: escolha uma lei que você considera verdadeira e procure um caso, na sua organização, em que ela falhou ou teve custo.
- Semana 2: aplique o teste do reencontro a uma decisão sua em andamento: se a outra parte descobrir exatamente o que você fez e por quê, o que acontece?
- Semana 2: mapeie de quem você depende e quem depende de você, e anote o que cada dependência rende e custa.
- Semana 3: identifique uma tática do capítulo (generosidade calculada, falso amigo, dependência fabricada) que você suspeita estar sofrendo, e anote os fatos, sem interpretação.
- Semana 3: converse com uma pessoa de confiança, de fora da sua cadeia de comando, sobre o que você observou.
- Semana 4: escolha um comportamento seu, inspirado em alguma lei, que você faria igual se todos soubessem, e pratique-o.
- Semana 4: escolha um que você não faria, e decida conscientemente deixá-lo de lado.
Exercícios
1. As três colunas. Faça o exercício da seção "Na prática" para cinco leis. Entrega: uma tabela com as três colunas preenchidas e, abaixo, um parágrafo sobre a lei em que a terceira coluna mudou sua opinião.
2. O reencontro. Pense em alguém com quem você teve um conflito profissional nos últimos cinco anos. Reconstitua o que aconteceu depois: vocês voltaram a trabalhar juntos, essa pessoa influenciou alguma decisão sobre você, o episódio circulou? Entrega: meia página que responda se o conflito foi um jogo de uma rodada ou de várias.
3. A lei que contradiz a lei. Escolha duas leis do livro que se contradigam (por exemplo, chamar atenção e comportar-se como os outros) e escreva uma regra de decisão de quatro linhas que diga em que condições se segue uma e em que condições a outra. Entrega: a regra e um exemplo de aplicação.
4. O diagnóstico defensivo. Releia as táticas da seção "Jogo sujo e defesa" e marque as que você viu acontecer. Para a mais frequente, escreva o que você faria diferente se acontecesse de novo, com uma frase que diria e um registro que faria. Entrega: uma página.
5. A versão que você assinaria. Escolha uma das leis de que mais gosta e escreva a versão dela que você assinaria embaixo na frente de toda a empresa, em duas linhas. Entrega: a lei original, sua versão e uma frase sobre o que a sua versão perde e o que ganha.
Prompt de estudo
Vou listar cinco das 48 leis do poder de Robert Greene e uma situação real da minha empresa em que cada uma parece se aplicar. Atue como um colega experiente em comportamento organizacional, cético e justo. Para cada lei, diga que hipótese ela contém, que evidência de pesquisa a apoiaria ou contrariaria (sem inventar estudos; diga quando não souber), o que acontece quando as mesmas pessoas voltam a se encontrar e que versão da lei eu poderia adotar sem depender de engano.
Quero ensaiar uma conversa com um colega que, tenho motivos para achar, atribui a si o trabalho que fazemos juntos. Aja como ele, que talvez nem perceba o que faz ou tenha uma explicação plausível, e reaja de modo realista. Ajude-me a abrir a conversa com fatos e datas, sem acusar, a pedir um combinado sobre como apresentar trabalhos conjuntos e a decidir o que fazer se ele negar.
Fontes e leituras
Fontes citadas, com o que foi efetivamente conferido na elaboração deste capítulo (consultas em 30 de outubro de 2026). Onde só vi resumo, digo.
- Greene, R. The 48 Laws of Power. Nova York: Viking, 1998. Livro não relido na íntegra; a lista dos 48 títulos e a estrutura vêm das resenhas e do dossiê de pesquisa. As quatro formulações em português entre aspas (leis 1, 14, 15 e 20) conferem com a sinopse da Rocco; as demais traduções são de trabalho. Edição brasileira: Rio de Janeiro, Rocco, 2000, 458 p., tradução de Talita M. Rodrigues, ISBN 8532510405; conferida no catálogo da biblioteca do IFAC (https://biblioteca.ifac.edu.br//bib/35535), já que a página da Rocco só mostra a edição atual. Página da editora: https://rocco.com.br/produto/as-48-leis-do-poder-capa-dura/
- Kirkus Reviews. Resenha de The 48 Laws of Power, 1998. Conferida: contradições entre as regras, falta de definição de poder e "mundo hobbesiano". https://www.kirkusreviews.com/book-reviews/robert-greene/the-48-laws-of-power/
- CNN, "How to master 'The 48 Laws of Power'", republicada pelo Business Daily (Quênia), 17 mar. 2010. Conferida: a fala de Pfeffer, o relato de Bynum e a fala de Charney. https://www.businessdailyafrica.com/bd/lifestyle/society/how-to-master-the-48-laws-of-power--1958378
- Salt Lake Tribune, "Why are these two books banned at the Utah State prison?", 11 jan. 2017. Conferida. https://www.sltrib.com/news/2017/01/11/why-are-these-two-books-banned-at-the-utah-state-prison/. A fala de Greene ao Telegraph (2012) é citada por essa reportagem; o original não foi consultado.
- Chang, A. "American Apparel's in-house guru shows a lighter side". Los Angeles Times, 30 ago. 2011. Lido pela cópia do Internet Archive em 30/10/2026: roteirista, encontro com Elffers perto de Veneza, venda à Penguin, 1,2 milhão de exemplares nos EUA, duas dúzias de idiomas. https://www.latimes.com/business/la-xpm-2011-aug-30-la-fi-robert-greene-20110726-story.html
- Spotify Newsroom, retrospectiva de 4 dez. 2024. Conferida: 6º lugar global e 5º nos Estados Unidos entre audiolivros premium. https://newsroom.spotify.com/2024-12-04/top-songs-artists-podcasts-audiobooks-albums-trends-2024/
- Axelrod, R. The Evolution of Cooperation. Nova York: Basic Books, 1984. Livro não relido; os dois torneios (catorze e sessenta e dois programas, mais a estratégia aleatória, vitória do Tit for Tat de Rapoport) e a "sombra do futuro" conferidos em resumos. Reanálise de 2015 na PLOS ONE (eficácia contingente ao desenho do torneio, ao critério de sucesso e aos valores da matriz de pagamentos) conferida pelo resumo.
- De Jong, B. A.; Dirks, K. T.; Gillespie, N. "Trust and team performance: a meta-analysis of main effects, moderators, and covariates". Journal of Applied Psychology, 2016. Resumo conferido: 112 estudos, 7.763 equipes, ρ = 0,30. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27123697/
- O'Boyle, E. H.; Forsyth, D. R.; Banks, G. C.; McDaniel, M. A. "A meta-analysis of the Dark Triad and work behavior: a social exchange perspective". Journal of Applied Psychology, 97(3), 557–579, 2012. DOI 10.1037/a0025679. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22023075/ Só resumo; tamanhos de efeito não conferidos.
- Fouquet e Vaux-le-Vicomte: a festa de 17 ago. 1661 e a prisão de 5 set. 1661, em Nantes, por d'Artagnan, conferidas em sites de história e do próprio castelo (Hérodote, vaux-le-vicomte.com); condenação ao banimento em dezembro de 1664, comutação em prisão perpétua e morte em Pignerol em 1680: Larousse (https://www.larousse.fr/encyclopedie/personnage/Fouquet/187131) e Britannica; a causalidade (rival Colbert, decisão do rei anterior à festa) é debatida e foi tratada como interpretação.
- Cialdini, R. Influence (reciprocidade): citado de memória como referência geral, sem número ou trecho.